28/10/2003 17h09 – Atualizado em 28/10/2003 17h09
A maior parte dos meios de comunicação árabes responsabilizou os Estados Unidos pela última onda de atentados suicidas ocorrida em Bagdá. A tese dominante é de que o governo norte-americano tem apenas a si mesmo para responsabilizar pelos ataques ao não conseguir dar aos iraquianos a segurança de que precisam. Nos atentados de ontem, dia em que se iniciou o Ramadã (mês sagrado para os muçulmanos), 35 pessoas morreram.
“O Iraque, no primeiro dia do Ramadã, foi cenário de um banho de sangue. As forças de ocupação são diretamente responsáveis por causa da instabilidade que criaram no Iraque”, escreveu o jornal Al-Khaleej, dos Emirados Árabes Unidos. E, como outras publicações, o diário afirmou temer que os atentados a bomba apenas prorroguem a ocupação norte-americana, que, para muitos na região, é um ato de colonialismo disfarçado. “O atentado que elegeu por alvo uma organização de ajuda humanitária (um prédio da Cruz Vermelha foi atingido) serve à ocupação e a prorroga em vez de abreviá-la”, afirmou o Al-Khaleej.
O principal jornal da Arábia Saudita, o Al-Ryadh, disse que os EUA têm de desistir de seus sonhos de controlar o Iraque e a região toda sob o risco de serem alvos de novos ataques. Algumas publicações fizeram críticas duras aos responsáveis pelos atentados que, além dos mortos, deixaram 230 feridos. Nas explosões, também foram atingidas três delegacias. “O que aconteceu ontem em Bagdá é um crime, mas é pior do que um crime: é um erro político mortal”, afirmou o As-Safir, do Líbano. “Tais erros políticos ajudam a ocupação a justificar seus horríveis crimes.”
O jornalista Fares Ghanim disse que os erros dos EUA estavam levando as pessoas ao desespero. “Se a situação continuar assim, haverá um terreno fértil para a atuação dos extremistas muçulmanos, que desejam se vingar dos norte-americanos.”
Fonte:Agora MS




