17/10/2003 09h03 – Atualizado em 17/10/2003 09h03
Palocci disse que, se for assinado, o acordo com o FMI terá duração máxima de um ano e não vai prever desembolsos ao país, mas a disponibilização de fundos que poderão ser solicitados em caso de necessidade, cujo montante ainda não está definido.
” O Brasil pode passar o próximo período sem um novo acordo com o Fundo. O que nós estamos analisando é se é adequado para o país, para fazer esse trânsito para uma condição de equilíbrio forte da economia, fazer esse acordo preventivo ” , disse Palocci, que acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na visita à capital argentina.
Sobre a eventual duração do pacto, Palocci afirmou que o país deseja um acordo curto. ” Não teria sentido, na medida em que devemos entrar em um período efetivo de crescimento, fazer um acordo prolongado ” , argumentou. Segundo ele, o objetivo do Brasil é não precisar mais recorrer ao Fundo, ” mas é importante que possamos encerrar esse período de contratação no momento mais adequado e com muita firmeza ” .
Palocci considerou que, se houver o acordo, ele terá de ser feito ” no âmbito da política que o governo realize ” , e não ” no âmbito de alguma fórmula ” apresentada pela instituição multilateral. Ele ressaltou que as autoridades do FMI têm se mostrado receptivas à posição brasileira.
O ministro defendeu que a discussão do nível de superávit a ser alcançado pelo país deixe de ser simplesmente centrada no ” tamanho ” , mas também na ” qualidade ” do ajuste.
” A história brasileira é marcada na última década pela ampliação progressiva de tributos e pouco trabalho em relação à despesa pública. Este ano nós começamos a mudar isso. Não houve aumento da carga tributária, e esse é um primeiro passo na direção de melhorar a qualidade do ajuste ” , segundo ele, evitando ” produzir novos constrangimentos para o crescimento econômico ” .
Para os próximos dois anos, o ministro disse que o governo precisa fazer uma hierarquização dos investimentos, ” de maneira a verificar quais são os investimentos que são essenciais do ponto de vista social mesmo que não tenham retorno, quais são os investimentos que têm um retorno social e econômico e quais são os investimentos de má qualidade ” .
A terceira etapa da melhoria da qualidade do ajuste seria criar ” superávits anticíclicos ” , economizando mais quando o país está em crescimento e investindo mais recursos sociais quando ocorrerem movimentos recessivos. ” Com a melhoria da qualidade do ajuste fiscal, queremos projetar um Brasil com juros reais entre 5% e 6% ainda neste governo ” , disse Palocci.
Fonte:IG




