29/09/2003 14h07 – Atualizado em 29/09/2003 14h07
A definição no dicionário Aurélio é sucinta. Por fetiche entende-se “objeto animado ou inanimado feito pelo homem ou produzido pela natureza, ao qual se atribui poder sobrenatural e se presta culto”. Na gênese da palavra está outra, envolta em mistério: feitiço. Ambas fazem parte da vida humana desde os séculos mais remotos. Os exemplos são muitos e remontam a épocas tão remotas quanto o Antigo Testamento – a adoração do bezerro de ouro pelos hebreus, por exemplo. No mundo contemporâneo, no entanto, a palavra fetiche alcançou outras esferas, para além do campo místico e religioso, chegando à moda, ao cinema, à psicanálise, à literatura, às artes plásticas. Com a realização de O Fetiche – Construção e Uso na Esfera da Cultura, um ciclo de palestras marcado para acontecer de 1º a 9 de outubro, o Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília coloca todas essas acepções em discussão.
O evento vai oferecer seis encontros com pesquisadores, doutores, historiadores, críticos, antropólogos, que discorrerão sobre as várias formas de abordar o tema Fetiche no contexto amplo da cultura. “Neste ciclo de palestras, o fetiche estará sendo analisado como uma questão que interessa a várias esferas do conhecimento e da criação. É o fetichismo como fenômeno social, mais do que como patologia neurótica ou símbolo de um cerimonial, o que importará na soma final das palestras”, explica a curadora Ligia Canongia.
Nas palestras, o tema Fetiche será abordado em sua ampla diversidade, a partir do ponto de vista de sua relação com a magia e a religião, de sua expressão em textos literários e na construção de obras de arte, sua manifestação no cinema, seu confronto com a moda e até mesmo as perspectivas da fetichização sob a análise psicanalítica. “A psicanálise freudiana é uma chave importante para a teoria da cultura, e sua abordagem sobre o fetiche – associado à idéia do desejo deslocado e da castração – é fundamental para a própria definição moderna do termo”, diz a curadora.
Atualmente, fetiche é uma palavra impregnada por sua conotação sexual. Mas restringir-se a este ponto de vista é ignorar uma imensa gama de possibilidades de exploração do assunto. Como comenta a curadora Ligia Canongia: “É importante observar que a perversão fetichista, através da ligação secreta e obsessiva de um sujeito com um objeto inanimado, é bastante pertinente à nossa sociedade de consumo. Por outro lado, o fetiche também está relacionado a práticas litúrgicas e rituais, encarnado na figura de espíritos e entidades religiosas. Tanto a acepção sexual quanto a acepção mágica indicam o fetiche como processo de transferência do afeto ou da crença para algo que substitui o objeto real desses sentimentos; algo que preenche, simbolicamente, o lugar de outro objeto”.
Fetiche, afinal, é poesia ou perversão? Uma marca de gosto pessoal ou uma patologia? Estas e outras questões poderão ser discutidas em O Fetiche – Construção e Uso na Esfera da Cultura. Todas as palestras têm entrada franca.
Ciclo de palestras
Dias 1, 2, 3, 7, 8 e 9 de outubro, no subsolo da Galeria do CCBB, sempre às 19h30
Entrada franca
Dia 1º de outubro (4ª feira) : Aluisio Pereira de Menezes – Facetas do Fetichismo
Dia 2 de outubro (5ª feira) : Ivana Bentes – Cinema e Fetiche (ou o cinema feito em pedaços)
Dia 3 de outubro (6ª feira) : Yvonne Maggie – Fetiche, Feitiço, Magia e Religião
Dia 7 de outubro (3ª feira) : Roberto Corrêa dos Santos – Ficcionismo (a parte e o resto)
Dia 8 de outubro (4ª feira) : Nízia Villaça – Quanto menos corpo, mais fetiche: a moda em questão
Dia 9 de outubro (5ª feira) : Paulo Sergio Duarte – A mega-exposição de arte na virada do milênio: o espetáculo como fetiche.
Fonte: Rádio Brás





