24/09/2003 14h57 – Atualizado em 24/09/2003 14h57
Desde de que foi implementado, em junho de 2001, pela administração do prefeito Laerte Tetila, o programa Sentinela registrou 300 casos de exploração e abuso sexual. O Sentinela tem como meta amparar e orientar as crianças, adolescentes e seus familiares, vítimas deste tipo de violência com apoio de psicólogos, assistentes sociais e pedagogos.
De acordo com a secretária de Assistência Social e Economia Solidária, Ledi Ferla, a maior parte dos violentados é do sexo feminino com 245 vítimas, a maioria na faixa etária de 7 a 14 anos. Com tantas vítimas a prefeitura de Dourados está organizando uma campanha para estimular as pessoas a usarem a denúncia como “arma” de combate a estes crimes. “Esta violência só pode ser combatida por meio da denúncia”, ressalta Ledi Ferla. “As pessoas não precisam ter medo. O denunciante não será identificado, mas é muito importante que as pessoas não sejam omissas porque a omissão também é um crime”.
Segundo a secretária, a exploração sexual de adolescentes ocorre tanto no meio familiar quanto em redes organizadas de exploração como boates, bares, motéis e hotéis. “São casos difíceis de serem investigados porque as próprias vítimas negam o fato e estas redes de exploração são muito bem organizadas”, lamenta Ledi Ferla.
Todavia, a maior violência e que vem sendo pouco divulgada de acordo com a secretária é relacionada aos portadores de deficiência. “Temos 6 vítimas portadoras de deficiência e nestes casos, os agressores agem com mais tranqüilidade porque as vítimas, muitas vezes têm dificuldade em se expressar o que facilita a impunidade”, alerta a secretária.
Segundo a pedagoga que trabalha no Sentinela Nilza dos Santos, não é difícil perceber quando uma criança é vítima de abuso sexual. “Elas ficam tristes, abatidas, choram sem causa aparente, tem pesadelos ou comportamentos agressivos. São reações que um familiar mais próximo, ou até mesmo os professores, podem perceber a alteração de comportamento”, afirma Nilza. “Em geral, as crianças não têm parâmetro para reconhecer o abuso como agressão. Em muitos casos, quando percebem que foram vítimas de violência sexual se calam por medo, vergonha ou culpa. Além disso, elas temem represálias dos abusadores”, ressalta a especialista.
Qualquer pessoa pode fazer a denúncia pelo telefone 0800-647-0444 ou ainda procurar os locais específicos (veja tabela abaixo). O programa funciona 24 horas
Fonte:Dourados News





