23/09/2003 09h01 – Atualizado em 23/09/2003 09h01
A rede britânica BBC prepara uma reestruturação interna relacionada ao caso do especialista em armas de destruição em massa David Kelly, cujo suicídio, em julho, aprofundou a controvérsia sobre as razões do governo de Tony Blair de ir à guerra contra o Iraque. A reestruturação deve afetar em primeiro lugar as funções do repórter Andrew Gilligan -que, se não for demitido da emissora, deve perder o cargo de analista de defesa.
Gilligan foi o autor de uma reportagem que tinha Kelly como fonte e acusava o governo de ter “esquentado” relatórios sobre a ameaça que o suposto arsenal proibido iraquiano representava para a Grã-Bretanha.
Kelly não foi identificado na reportagem, levada ao ar em maio, mas passou a ser pressionado pelo governo e, antes de suicidar-se, foi convocado a depor no Parlamento em duas ocasiões. Gilligan admitiu em juízo ter “deduzido” alguns aspectos do caso a partir das entrevistas com Kelly, pondo em risco a credibilidade da BBC.
De acordo com a edição de ontem do jornal The Guardian, o diretor-geral da corporação BBC, Greg Dyke, planeja mudanças, por exemplo, no manejo das acusações, com o objetivo de evitar possíveis críticas no próximo relatório do juiz Brian Hutton, que investiga a morte do cientista.
Entre as denúncias, Gilligan afirmara que o secretário de Comunicação de Blair, Alastair Campbell, insistiu em incluir num dossiê sobre o Iraque um documento segundo o qual Bagdá poderia lançar suas armas proibidas 45 minutos depois de uma ordem de Saddam Hussein. Os responsáveis pela inteligência britânica, porém, haviam advertido ao governo que a informação não era correta.
O secretário de Defesa, Geoff Hoon, reiterou ontem, ante o juiz Hutton, que o governo britânico não conspirou para descobrir o nome da fonte da BBC. Mas admitiu ter aprovado um comunicado que autorizava funcionários da Defesa a confirmar se algum repórter apontasse o especialista como possível fonte.
Grande parte da imprensa britânica considera provável que Hoon tenha de renunciar após o encerramento do inquérito do caso Kelly.
Fonte:Ibest



