23/09/2003 10h31 – Atualizado em 23/09/2003 10h31
A liberação do gás natural, apontado como importante fonte energética, pode trazer riscos à saúde. Estudo feito no ano passado pela empresa paulista CTQ Química para a Petrobrás, que distribui o gás natural boliviano no Brasil, apontam a existência do mercúrio em meio ao gás. O mercúrio é um metal pesado, considerado altamente tóxico e danoso à saúde.
O estudo chegou recentemente às mãos do promotor de Justiça de Três Lagoas Antônio Carlos Garcia de Oliveira, que atua na área ambiental, e chamou a atenção. O promotor cita que quando a Petrobrás apresentou estudos de impacto ambiental para a exploração do gás natural- no caso de Mato Grosso do Sul há uma termelétrica ativa em Campo Grande, uma pronta em Três Lagoas e uma será construída em Corumbá- não incluiu a informação relevante para obter as licenças ambientais necessárias. Ele teve acesso ao EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental) feito pela empresa Cepemar para a Petrobrás.
O promotor manifesta preocupação com os riscos que a queima do gás para a produção de energia na térmica da cidade possam causar à saúde dos moradores. A térmica de Três Lagoas está pronta mas ainda não foi ativada. O mercúrio é de difícil degradação, podendo demorar décadas no solo e água.
No país, o caso mais conhecido de contaminação por mercúrio está associado à atividade em garimpos. Em um estágio mais concentrado, o metal é utilizado para ajudar a separar o ouro da sujeira retirada dos rios.
O laudo foi encaminhado ao promotor pela professora da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), que sempre apontou preocupação com a liberação de elementos tóxicos a partir da queima do gás natural. Segundo ela, o mercúrio estaria junto às rochas de onde é retirado o gás.
Fonte:Campo Grande News




