10/09/2003 16h42 – Atualizado em 10/09/2003 16h42
O tempo chuvoso e frio desde a segunda-feira, atípico para essa época do ano, está dificultando ainda mais a vida dos moradores dos bairros da periferia de Campo Grande, costumeiramente os mais afetados dada à infra-estrutura deficitária.Os principais exemplos dos problemas estão nos bairros onde o asfalto não existe.
No Parque dos Trabalhadores, no Jardim Colibri e Conjunto Habitacional Mário Covas, todos na saída para São Paulo, a lama formada após as chuvas dos últimos dias dificulta o tráfego de carros e das pessoas nas ruas e causa constrangimento aos moradores, que têm de buscar alternativas para driblar os inconvenientes do deslocamento nas ruas cheias de barro. Na Rua Humberto Lino, no Jardim Colibri I, nesta tarde, uma estudante “calçou” os pés com sacos pláticos de supermercado para proteger a roupa. Ao subir o degrau do ônibus deixou para trás, em forma de barro, a marca da precariedade do local onde mora.
Há mais de 20 anos no bairro Parque dos Trabalhadores, a dona-de-casa Lourdes Pereira Nunes, de 48 anos, enfrenta a mesma dificuldade bem na porta de sua casa, na rua Osvaldo Aranha. “Aqui sempre foi assim. Cada vez que chove é impossível sair de casa”, lamentou-se. “A Prefeitura joga cascalho, mas não adianta”, explicou Lourdes Nunes.
O pedreiro Ronaldo Cavalheiro, de 29 anos, morador do Mário Covas faz o percurso todos os dias pela Rua Osvaldo Aranha de bicicleta. “É duro, mas a gente dá um jeito né? Tem que ir para o serviço”, disse.
Com a chuva, além da lama, a erosão é outro problema trazida pela força da correnteza. As crianças não vêem problema com isso, pois aproveitam para brincar sem ter noção do risco à saúde que correm devido à sujeira que escorre pelas ruas. Guilherme de Lima, de 9 anos, mora na Rua Ibira, no Mário Covas, onde metade da via está comprometida com a erosão. “Não é perigoso não. A gente brinca aqui porque sempre foi assim”, disse o menino.
A chuva também parou todas as obras que a prefeitura tem em andamento, inclusive as de cascalhamento de vias, atrapalhou o funcionamento do Aeroporto e obrigou o adiamento do início dos jogos da etapa do Circuito Nacional de Volei Bando Brasil, que acontece em Campo Grande de hoje até domingo. A arena montada para o evento esportivo, no Parque da Nações Indígenas, virou um lamaçal em alguns dos pontos, trazendo para uma das regiões mais nobres da cidade um problema que os bairros periféricos vivem a cada vez que chove
Fonte:Campo Grande News




