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quinta-feira, 9 de julho de 2026

EUA propuseram quarentena à soja brasileira

05/09/2003 09h50 – Atualizado em 05/09/2003 09h50

Ministério da Agricultura confirmou, em nota oficial, a suspeita levantada por Jorge Salim Waquim, chefe de gabinete da Secretaria de Defesa Agropecuária: os EUA propuseram, de fato, “uma série de medidas” de quarentena no comércio de soja e derivados com o país.

A suspeita de Waquim tornou-se pública na segunda-feira, quando ele denunciou o fato de que um funcionário da agricultura norte-americana havia sido localizado na região de Barreiras (BA) fazendo pesquisas sobre a praga chamada “ferrugem da soja” (mal que se originou na Ásia).

Waquim exagerou na acusação, ao dizer que poderia se tratar de bioterrorismo, na medida em que o esporo, o microorganismo que causa a doença, está na lista norte-americana de agentes do terrorismo biológico.

Mas a outra suspeita do funcionário brasileiro era correta: depois de visitar a Bahia entre 18 e 23 de maio passado, o funcionário (só agora identificado como Hossein El-Nashaar) solicitou audiência com seu congênere brasileiro, o DDIV (Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal).

O encontro realizou-se no dia 11 passado e foi nele que El-Nashaar listou as medidas de quarentena que propunha.

Os técnicos brasileiros rejeitaram a lista alegando que a quarentena só poderia ser adotada após “processo oficial de análise de risco de praga, e não de uma simples visita”, como a que o norte-americano fizera.

Sheila Ribeiro, técnica do DDIV, disse ontem à reportagem que análises de risco de praga são rotineiras em diferentes países. O erro de El-Nashaar foi não ter feito o pedido oficial para a análise, que até teria base técnica: os Estados Unidos não têm a “ferrugem da soja” e poderiam, em tese, importá-la com os 70 mil quilos de farelo que o Brasil lhes venderia.

Embora pudesse ser tecnicamente justificado, o comportamento do funcionário norte-americano foi tão irregular que levou o Ministério da Agricultura a pedir esclarecimentos a seu congênere norte-americano sobre “os reais objetivos da visita do pesquisador ao Brasil”.

É óbvio que o miniincidente ganhou maiores proporções no contexto da acesa polêmica entre Brasil e Estados Unidos sobre protecionismo agrícola (polêmica que existe também entre Brasil e União Européia).

Fonte:Agora Ms

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