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quarta-feira, 8 de julho de 2026

O vinho – beber ou não beber?

01/09/2003 11h10 – Atualizado em 01/09/2003 11h10

Será que o vinho faz bem à saúde? A ingestão de bebida alcoólica, diariamente, é o melhor remédio para manter, por exemplo, o colesterol em níveis normais? Até hoje, não existe nenhuma pesquisa científica que comprove os benefícios do vinho no combate ao colesterol. O mesmo acontece com o suco de berinjela com laranja. Os resultados de novas pesquisas sobre a influência dos alimentos no controle (ou aumento) do colesterol dão origem a dúvidas ainda maiores. Vamos falar do vinho que, seja tinto, branco, seco, semi-seco, rosado, espumante, suave ou fortificado, está sempre em alta, principalmente, no inverno.

Alguns estudos mostram que o consumo de vinho, especialmente o tinto, protege o organismo de doenças do coração. Na França, onde existe o hábito de se beber uma ou duas taças de vinho por dia, a incidência de problemas cardiovasculares é pequena em relação aos países industrializados (apesar de não apresentarem fatores de risco menores, como obesidade, nível de colesterol no sangue, tabagismo, pressão arterial e sedentarismo). A ligação entre o consumo moderado de álcool e a redução de risco de ataque cardíaco pode ser em parte explicada pela relação do álcool no aumento do nível de HDL (colesterol bom). O efeito protetor do vinho tinto deve ser considerado, mas não devemos esquecer os seus outros efeitos como a embriaguez e as mudanças de comportamento, entre outros.

Alguns pesquisadores afirmam, ainda, que o suco natural de uva, este sim, combate o colesterol, mas o vinho, por ter álcool, aumenta a pressão arterial e é contra-indicado para os hipertensos. A relação da uva com o coração sempre despertou curiosidade. No final da década de 70, um estudo feito em vários países relacionou a mortalidade por doenças nas artérias coronárias, que irrigam o coração, com o vinho tinto. No entanto, os grandes amigos do coração são os flavanóides – substâncias que agem diretamente no fígado, inibindo a síntese de colesterol. Estes flavanóides atuam também como agentes antioxidantes, que diminuem a oxidação das moléculas do organismo, desacelerando os processos de envelhecimento.

Segundo a American Heart Association (Associação Americana do Coração), para quem deseja prevenir doenças cardíacas, não existe nada melhor do que ter uma dieta saudável, fazer exercícios físicos regularmente e ter o peso adequado. Portanto, não há motivo para se recomendar uma bebida alcóolica para diminuir os riscos dessas patologias.

Atenção: As informações contidas nesta matéria têm caráter informativo e não devem ser utilizadas para realizar autotratamento ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte o seu médico.

Para que você fique melhor informado, entrevistamos o Dr. Carlos Eduardo Domingues, cardiologista e mestre em saúde pública, um defensor da medicina baseada em evidências.

Saude: O consumo de duas taças de vinho ao dia diminui os riscos para as doenças do coração?

Dr. Carlos Eduardo: O consumo moderado de vinho pode realmente reduzir a incidência de doenças coronarianas, como tem sido demonstrado por diversos estudos nos últimos 30 anos. Podemos considerar a ingestão de duas taças de vinho como um exemplo de consumo moderado. Mas temos que ter muito cuidado ao abordar o assunto. Ainda não há justificativas concretas para a recomendação do uso de vinhos como estratégia de cardioproteção. A American Heart Association, por exemplo, recomenda que a ingestão de bebidas alcoólicas seja um item de discussão particular entre o paciente e seu médico.

Saude: O vinho pode ajudar uma pessoa com problemas de colesterol alto?

Dr. Carlos Eduardo: As doenças cardiovasculares estão diretamente relacionadas aos fatores de risco, como hipertensão arterial, tabagismo, diabetes mellitus e dislipidemias (alterações do colesterol). Entre esses fatores de risco o vinho tem seu principal efeito nos níveis de colesterol, em particular na elevação do colesterol HDL, conhecido como colesterol “bom”.

Saude: Qualquer tipo de vinho combate o colesterol? Quais são os vinhos indicados?

Dr. Carlos Eduardo: Devemos destacar que ainda não está definido de forma clara se o efeito cardioprotetor do vinho decorre de substâncias existentes somente nos vinhos ou se decorre da presença do etanol (álcool), o que transferiria a todas as bebidas alcoólicas esse possível efeito. Mas os vinhos provavelmente tem lugar de destaque entre as bebidas alcoólicas. Durante a produção dos vinhos tintos centenas de produtos químicos são extraídos das cascas das uvas. Muitos autores associam os benefícios do vinho a algumas dessas substâncias. Vale a pena lembrar que na produção dos vinhos brancos as cascas das uvas são desprezadas, portanto esse tipo de vinho não teria o mesmo efeito que o vinho tinto.

Saude: E quanto ao suco natural de uva?

Dr. Carlos Eduardo: Provavelmente o suco de uva também tem o mesmo efeito cardioprotetor que o vinho tinto, já que o mesmo também utiliza as cascas das uvas na sua elaboração.

Fonte: Saude.com

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