29/08/2003 16h40 – Atualizado em 29/08/2003 16h40
SÃO PAULO – O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, afirmou nesta sexta-feira que as condições para a retomada do crescimento econômico do país estão dadas, com a redução paulatina dos juros que começou a ser implementada pelo Banco Central. Para o ministro, que participa de debate sobre o desenvolvimento econômico do país, o risco de descontrole da inflação está totalmente afastado.
- A inflação é um problema resolvido e não há mais risco de explosão. É hora do crescimento e as condições estão dadas pela redução sequencial dos juros, pelo comportamento da agricultura, que terá este ano uma safra 24% maior, e pelo comportamento das exportações, que atingiu superávit de US$ 21,5 bilhões nos últimos doze meses, superior ao da China – disse.
Perguntado se a recessão que o país enfrenta hoje é resultado da política econômica adotada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Palocci afirmou que ela é conseqüência da grave crise econômica que o país viveu no fim do ano passado. Citou dados: o Brasil perdeu US$ 30 bilhões em financiamento em poucos meses, a inflação no varejo, projetada para 12 meses, bateu em 43% e, pela primeira vez, secaram os créditos para as empresas exportadoras do país.
- Toda a política monetária e fiscal foi para combater os efeitos danosos da inflação na renda das pessoas e na construção econômica. Foi o centro das nossas preocupações, ao lado do ordenamento da dívida brasileira, que é próxima a 56% do PIB. Se não tratarmos essas questões o país não pode crescer de forma sustentada – disse Palocci.
O ministro disse que os setores em dificuldade são os que vendem exclusivamente no mercado interno, por causa da queda de renda da população. Com o sucesso do combate a inflação, ressaltou, o poder de compra vai se recuperar paulatinamente.
- Não há motivos para o Brasil não entrar numa trajetória consistente de crescimento econômico – disse ele.
Palocci negou que a redução dos investimentos prejudique o crescimento. Segundo ele, a capacidade ociosa da indústria permite um crescimento de até 3% sem que sejam feitos novos investimentos, embora eles sejam desejáveis e necessários para um crescimento maior.
Fonte: GloboNews



