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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Pai de Maurren afirma que atleta não vai ao Pan

01/08/2003 09h39 – Atualizado em 01/08/2003 09h39

SÃO CARLOS, SP – Maurren Maggi não embarcará hoje com a delegação brasileira de atletismo para a República Dominicana. A saltadora vai conceder uma entrevista coletiva pela manhã e falará que desistiu de ir ao Pan para lutar pela absolvição da acusação de doping. Maurren alega ter usado, após uma sessão de depilação, antes do Troféu Brasil, a pomada (Novaderm), que contém o esteróide anabolizante clostebol (substância considerada dopante).

A decisão da atleta de não ir ao Pan foi revelada ontem por William Maggi, pai de Maurren, que mora em São Carlos (SP).

  • Ela (Maurren) está há 15 dias sem treinar. Mesmo que termine tudo bem, como esperamos, ela não terá condições de competir – afirmou o pai.

William, a esposa Ruth e os dois irmãos de Maurren estão abalados. Dona Ruth chegou a sofrer desmaios. Maurren escondeu o quanto pôde a notícia da família. Resolveu ir à Inglaterra buscar consolo no namorado, o ex-piloto de F-1 Antônio Pizzonia, demitido da Jaguar.

  • Chegamos até a comentar que esse namoro a prejudicava. Imagina! Viajar para lá às vésperas do Pan – recordou William, ressaltando que a filha estava, na verdade, adiando o momento de avisar à família.

Em Mônaco, a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) disse que não vai se pronunciar sobre o caso antes de a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) enviar o resultado da análise da contraprova (frasco B) do exame de urina da atleta, e um depoimento de Maurren.

O porta-voz da IAAF, Nick Davis, afirmou que quanto mais rápido isso for feito, melhor será para a atleta. Davis aconselhou Maurren a não competir no Pan.

  • Nós ainda estamos esperando o Brasil nos mandar o resultado do frasco B e o depoimento da atleta – insistiu o porta-voz, desmentindo a informação da CBAt de que o exame B já fora enviado.

Quando esse procedimento for cumprido, a sorte de Maurren ficará nas mãos de três especialistas da IAAF, sob o comando do sueco Arne Ljungqvist, presidente da comissão médica do Comitê Executivo da Agência Mundial Antidoping (WADA). Segundo Davis, não será preciso reuní-los pessoalmente, para que haja uma decisão.

  • Podemos enviar a documentação por fax para eles. Uma decisão pode ser tomada rapidamente, em questão de dias. Mas para terça-feira (data em que competiria), acho que já está tarde – explicou Nick Davis.

Foi encontrada na urina da atleta quantidade dez vezes maior de clostebol que o máximo registrado nos casos de uso da pomada Novaderm. Fontes da IAAF dizem que se o exame do frasco B confirmar o resultado do A, a suspensão por dois anos da atleta é certa, mesmo que ela prove que não fez isso intencionalmente. A organização aplica em todos os casos um princípio, chamado em inglês de document.write Chr(39)strict liabilitydocument.write Chr(39): um atleta é responsável se for flagrado com substâncias proibidas no corpo, mesmo que o uso não seja intencional.

Um julgamento rápido do caso de Maurren é importante: se admitir a culpa e aceitar a suspensão, ela poderá pedir ao Conselho de 27 membros da IAAF, dentro de um ano, a redução da pena. Se conseguir isso, participaria das Olimpíadas de Atenas. A não participação nos Jogos Pan-Americanos é fundamental: a suspensão passaria a contar a partir do Troféu Brasil (15 de junho). Se ela competir no Pan, a suspensão só contará a partir da semana que vem, o que diminui as chances de tentar reduzir a pena e de participação nos Jogos Olímpicos.

Fonte: Globo Esporte

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