30/07/2003 09h14 – Atualizado em 30/07/2003 09h14
Algumas empresas podem estar especulando com o mercado do milho e gerando transtorno para os motoristas que estão transportando a safra de milho que já está sendo colhida em Dourados.
Convencionalmente esta ainda não é a data certa para retirar o produto da lavoura, já que o milho poderia ficar alguns dias a mais no campo e com a estiagem registrada na região sul do Estado onde não chove a mais de 40 dias os grãos poderiam secar um pouco mais, representando um lucro maior na hora da venda do produto.
Os técnicos do setor esperam o pico da colheita para os próximos quinze dias, mas em algumas cerealistas de Dourados já existem filas para descarregar o produto colhido.
Neste caso o milho foi vendido antecipadamente e os grãos ainda não estão completamente secos, e o preço pago ao produtor é menor devido à umidade do produto.
O milho com a umidade dentro dos percentuais normais está sendo comercializado a R$ 11,00 a saca de 60 quilos com pagamento para cinco dias e com a umidade que o grão se encontra hoje o preço máximo que se pode alcançar é R$ 10,00.
Os produtores rurais da Grande Dourados devem colher este ano, cerca de 1,8 milhões de toneladas de milho safrinha, o que representa a maior quantidade de todos os tempos. Até agora tudo correu como os produtores esperavam.
Chuva na hora certa, clima propicio para o milho e até a expectativa de um bom preço na hora da comercialização. Só um fator está começando a preocupar. A falta de local para armazenar tudo o que for retirado das lavouras.
Em muitos armazéns o espaço que deveria ser ocupado como o milho ainda está sendo usado com o soja da última safra.
Mas para chefe do escritório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, Aparecido Freitas Brito, os armazéns de Dourados deverão comportar bem o milho colhido.
“O soja estocado hoje deve ser retirado nos próximos dias, já que o preço do produto pode começar a cair e boa parte do milho vai ficar pouco tempo armazenada, já que hoje a demanda do mercado pelo produto é muito grande e parte do que for colhido já tem mercado garantido seja interno ou para exportação”, disse ele.
Ontem muitos caminhões aguardavam para ser descarregado em duas unidades armazenadoras de Dourados, mas a descarga estava sendo feita de forma bastante lenta o que causou certa revolta nos motoristas. Alguns caminhoneiros estavam na fila à cerca de uma semana.
“Nós estamos aqui perdendo dinheiro e o milho está secando nos caminhões”, disse o motorista Ismail Zambratti, que mora em Dourados, mas carregou o milho na cidade de Maracaju.
Fonte: Diário MS



