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domingo, 28 de junho de 2026

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20/06/2003 10h14 – Atualizado em 20/06/2003 10h14

O uso incorreto de remédios para a Aids nos países em desenvolvimento ameaça acelerar o desenvolvimento de variedades do vírus HIV resistentes a medicamentos.

Essa é a conclusão de um estudo divulgado por cientistas da London School of Hygiene and Tropical Medicine, que acaba de ser publicado no British Medical Journal, da Grã-Bretanha.

O estudo pede para que governos e organizações internacionais não ignorem o problema e tomem providências imediatas.

Com base em dados coletados da África e da Ásia, o estudo mostra que a prescrição descontrolada de drogas anti-retrovirais é generalizada e está crescendo.

Doses erradas:

Nos locais onde o Estado não fornece remédios, os pacientes que têm dinheiro compram os remédios onde podem: em consultórios médicos e farmácias ou de vendedores particulares e parentes no exterior.

Segundo o autor do estudo, Ruairi Brugha, freqüentemente os doentes não tomam os remédios como deveriam.

“Esse medicamentos não estão sendo usados corretamente. Por exemplo, a monoterapia – uso de apenas um remédio anti-retroviral – é definitivamente uma prática prejudicial. E vemos provas disso em Zimbábue e Uganda. Tenho certeza de que isso está acontecendo em outros países também”, disse.

Brugha também constatou que, em algumas áreas, os pacientes estão mudando a medicação freqüentemente, tomando as doses erradas, ou suspendendo o tratamento quando não podem pagar.

Esse é exatamente o conjunto de condições em que, segundo os cientistas, um vírus rapidamente se torna resistente a remédios.

Orientação:

Até mesmo nos países mais ricos, os tratamentos seguem padrões mais rígidos, o HIV está se tornando mais resistente a remédios anti-retrovirais.

O estudo diz que governos e autoridades de saúde não podem se dar ao luxo de esperar pelo surgimento de uma resistência mais perigosa no mundo em desenvolvimento.

A pesquisa recomenda também que médicos e clínicas recebam mais orientação sobre tratamentos, que o fornecimento de remédios seja estável e que o setor público tenha melhores condições de fornecer seus serviços às pessoas que precisam.

Um porta-voz do UNAIDS (programa da ONU para Aids) confirmou que o problema é sério e precisa ser resolvido de forma urgente, com aumento de programas de tratamento estruturado.

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