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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Polícia comete equívoco em retrato falado no caso do assalto a seguranças do filho de Lula

20/06/2003 15h59 – Atualizado em 20/06/2003 15h59

SÃO PAULO – A polícia divulgou na tarde desta sexta-feira os dois retratos falados dos suspeitos de atirar contra seguranças do filho de Luiz Inácio Lula da Silva na quarta à noite, em Santo André, na região do ABC paulista. Ao contrário do que mostra o retrato falado de um dos bandidos divulgado nesta quinta na mesma delegacia, o assaltante não tem cavanhaque. Na ação dos ladrões, o subtenente do Exército Alcir José Tomazzi morreu e o cabo da Polícia do Exército Nivaldo Ferreira Santos ficou ferido.

O segundo retrato falado divulgado nesta sexta-feira revela que o outro bandido, cuja descrição ainda não havia sido feita, também não tem cavanhaque. De acordo com as informações iniciais, ele usaria esse tipo de barba. A polícia diz que, pelas descrições, um dos suspeitos é pardo e o outro branco.

A nova informação revela o segundo desencontro, em pouco mais de 24 horas, no encaminhamento das investigações do caso. Ontem, depois da prisão de dois suspeitos, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo dava o crime como “praticamente esclarecido”, segundo informação passada pelo próprio secretário Saulo de Castro Abreu Filho ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Só que exames residuográfico, de impressões digitais e de balística mostraram que os dois irmãos detidos nada tinham a ver com o caso. E voltou-se à estaca zero.

Ontem o cabo Santos chegou a reconhecer informalmente os dois como sendo os criminosos, mas depois voltou atrás e disse que não tinha certeza se eles realmente eram os bandidos.

Os novos retratos foram feitos com base em depoimento de uma testemunha cuja identidade não foi revelada, segundo o delegado Oswaldo Fuentes Júnior, da Delegacia de Santo André.

Indagado se a equipe de investigação já tinha informações sobre a posição em que os dois seguranças da Presidência estavam no momento em que foram abordados, o delegado afirmou não ter tido acesso a nenhum dos laudos feitos até agora, mesmo sendo ele um dos responsáveis pelo caso.

  • Eu não recebi o laudo com os resultados dos exames que foram feitos – afirmou ele, acrescentando que “toda a polícia continua mobilizada na busca dos dois assaltantes”.

O assalto foi na noite de quarta-feira. Os militares estavam num carro estacionado em frente à casa da namorada do filho de Lula, Sandro Luiz. Os bandidos se aproximaram e houve tiroteio. Tomazzi foi atingido na cabeça e não resistiu. Santos foi levado para o Hospital do Exército, com ferimentos no tórax e na mão.

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