18/06/2003 08h30 – Atualizado em 18/06/2003 08h30
Soldados americanos abriram fogo contra iraquianos que realizavam um protesto do lado de fora do antigo palácio presidencial, em Bagdá, matando pelo menos duas pessoas e ferindo outras.
Os manifestantes eram ex-soldados que perderam seus empregos depois que o administrador civil interino do Iraque, Paul Bremer, decidiu reformular as Forças Armadas do país, no mês passado.
Há informações de que os manifestantes atacaram equipes de jornalistas e veículos da ONU que estavam na área no momento dos protestos.
A agência France Presse informou que até 300 ex-soldados participaram do protesto e que o manifestante morto, na faixa dos 60 anos, teve seu corpo carregado para o interior do palácio presidencial.
Pedras:
A multidão tentou apedrejar os soldados e também jornalistas que estavam cobrindo o tumulto. Segundo a agência de notícias Reuters, pelo menos um cinegrafista foi atingido pelas pedras.
A decisão de Paul Bremer de desmantelar as forças de segurança iraquianas seria parte do esforço para afastar do poder pessoas ligadas ao Partido Baath, do ex-presidente Saddam Hussein.
Estima-se que até 400 mil iraquianos que trabalhavam nas Forças Armadas, serviços de segurança, de informação e de defesa tenham ficado sem emprego.
Empecilho:
O incidente desta quarta-feira coincide com a publicação no jornal britânico Financial Times de uma entrevista da ministra de Desenvolvimento Internacional da Grã-Bretanha, Valerie Amos.
Na entrevista, a ministra disse que as forças americanas e britânicas precisam intensificar seus esforços para colocar ordem no Iraque, porque o caos no país está prejudicando os esforços de reconstrução do país.
Amos disse que os americanos e britânicos não conseguiram antecipar a dimensão dos problemas que teriam nas semanas seguintes à queda de Saddam Hussein.
“A situação no tocante à segurança, que precisamos acertar para ter condições de seguir em frente com o esforço de reconstrução, está prejudicando as coisas um pouco”, disse.
A secretária está tão preocupada com a falta de segurança no país que decidiu adiar uma viagem iria fazer ao Iraque.




