18/06/2003 14h07 – Atualizado em 18/06/2003 14h07
Duas mulheres iranianas atearam fogo em si mesmas, em Paris, para protestar contra a detenção de vários integrantes da oposição iraniana na França.
O episódio ocorreu um dia depois de um homem iraniano atear fogo ao corpo em Londres, como protesto à detenção de cerca de 160 pessoas numa ação organizada pela polícia francesa a partir de investigações sobre o grupo de oposição armada Mujahideen Popular.
A polícia suspeita que integrantes do grupo – classificado como uma organização terrorista pela União Européia e pelos Estados Unidos – estavam planejando ataques.
Uma das mulheres que protestaram em Paris, Marzieh Babakhni, derramou um líquido inflamável sobre si mesma e acendeu um fósforo.
Estado grave:
A polícia tentou controlar as chamas com um cobertor, mas a mulher – que tem cerca de 40 anos – sofreu queimaduras no rosto, tórax e braços. Ela foi hospitalizada e está em estado grave.
Ela havia participado de uma manifestação envolvendo dezenas de pessoas na frente do prédio do serviço de espionagem francês, na terça-feira.
A segunda mulher, Segigheh Mojaveri, ateou fogo a si mesma algum tempo depois. Ela também sofreu queimaduras, mas não estaria em situação tão grave.
Os protestos de Paris e Londres acontecem no momento em que as manifestações populares no Irã contra o governo do país entram na sua segunda semana.
A polícia e grupos da direita islâmica têm reprimido as manifestações.
Na terça-feira, moradores de um subúrbio de Teerã, a capital iraniana, disseram que vários jovens foram surrados e presos durante manifestações.
Segundo o correspondente da BBC em Teerã, Jim Muir, muitos dos que têm participado dos protestos são pessoas comuns, não necessariamente ligadas a movimentos políticos, que estão frustradas com a falta de sucesso das reformas promovidas pelo sistema, que recebeu o voto de milhões de iranianos.



