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sábado, 27 de junho de 2026

IBGE: 65,4% das crianças de 12 anos da rede pública estão defasadas

12/06/2003 09h57 – Atualizado em 12/06/2003 09h57

Apesar de ter evoluído a caminho de metas que visam à erradicação do analfabetismo, o país apresenta distorções na área educacional que ficam evidentes ao se observar as taxas de defasagem escolar entre alunos da rede pública e da rede privada de ensino. Segundo o relatório síntese da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, até os 7 anos de idade, a defasagem de ensino é maior na rede particular (21%) que na rede Pública (15,2%). A partir dos 8 anos, no entanto, a tendência se inverte. Aos 12 anos, enquanto na rede particular havia 27,9% das crianças defasadas, na rede pública o percentual de alunos defasados chegou a 65,4%.

A pesquisa comprova também que o ensino público superior atende na verdade às camadas mais ricas da população. Nas universidades públicas, que oferecem um terço das vagas no país, 60% dos alunos pertencem ao mais alto nível de rendimento familiar per capita.

Já as políticas públicas no sentido de diminuir taxas de analfabetismo no país têm dado resultados, segundo a pesquisa. Em 1992, a taxa de analfabetismo era de 17,2% e caiu para 12,4% em 2001, mas ainda é uma das maiores da América Latina. O número de pessoas que não sabem ler nem escrever é expressivo: são 14,9 milhões de 15 anos ou mais no país. As maiores proporções de adultos analfabetos ainda se encontram no nordeste, mas a região foi a que apresentou a maior redução na taxa, caindo de 32,7% em 1992 para 24,3%, em 2001.

Os adultos com baixa escolaridade, com menos de quatro anos de estudo, considerados analfabetos funcionais pela Unesco, ainda são muitos no país, e a região nordeste apresenta os índices mais dramáticos: 42,8% da população adulta se enquadra nesta definição. Nas regiões sudeste e sul essa taxa cai pela metade com 20,4% e 21,2% respectivamente.

Segundo a pesquisa, a escolaridade média da população de 10 anos de idade ou mais aumentou apenas um ano entre 1992 e 2001. Neste ritmo, concluem os pesquisadores, o país precisaria de outros dez anos para se igualar a outras nações com a mesma renda per capita.

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