11/06/2003 16h32 – Atualizado em 11/06/2003 16h32
O cultivo, para fins comerciais, de uma batata transgênica que contém nutrientes ausentes nas dietas das populações mais pobres deve ser aprovado na Índia nos próximos seis meses.
A chefe do departamento de Biotecnologia do governo indiano, Manju Sharma, disse que a batata seria dada de graça para milhões de crianças pobres em escolas públicas para tentar reduzir o problema da malnutrição no país.
A batata contém um terço a mais de proteína em relação à batata comum, incluindo nutrientes essenciais de alta qualidade. Ela foi criada com a adição do gene da planta amaranto, rica em proteína, ao código genético da batata.
Críticos da iniciativa dizem que o plano é arriscado e ingênuo – e que será usado como propaganda para promover os méritos dos transgênicos na Índia.
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A nova batata está nos estágios finais do processo de obtenção de aprovação pelas entidades de controle no país, e Sharma disse que estava confiante de que não haverá problemas nessa área.
Ela planeja incorporar o alimento no programa de almoço gratuito oferecido nas escolas pelo governo indiano.
“Tem havido grande preocupação de que a desnutrição, a deficiência de vitamina A, a deficiência de proteína, seriam as causas da cegueira”, ela disse à BBC.
“Esta é uma preocupação global, particularmente nos países em desenvolvimento”.
Para o executivo-chefe da Dupont e defensor do projeto, Balvinder Singh Khalsi, ele tem enorme potencial para o país.
“Vemos isso como uma tecnologia para o futuro, porque o que a Índia realmente precisa é alimentar sua população crescente”, disse Khalsi.
Ele apontou para a polêmica introdução, no ano passado, na Índia, do algodão transgênico para tentar mostrar que a novidade será aceita.
Segundo Khalsi, o algodão transgênico se espalhou rapidamente entre os fazendeiros do país.
“Uma vez que (os transgênicos) sejam introduzidos em outras lavouras, e as pessoas comecem a ver seus benefícios, nós acreditamos que essa tecnologia vai ser aceita pelos fazendeiros e a população como um todo”, disse.
Críticas:
No entanto, críticos do plano, como o doutor Devinder Sharma, dizem que a batata transgênica não passa de um golpe publicitário para promover alimentos modificados geneticamente na Índia.
“O que esse país precisa, e tem em abundância, são grãos (como grão de bico, ervilha, lentilha e feijão). Esses alimentos contêm de 20% a 26% de proteína. A batata de que eles estão falando tem 2,5% de proteína. Por favor, me diga qual é melhor”, ele questionou.
Alguns ambientalistas dizem também que as empresas de biotecnologia talvez tenham exagerado nas vantagens oferecidas por lavouras transgênicas.
“O potencial para a tecnologia tem de ser avaliado em termos do que está sendo oferecido, e há alternativas”, disse a ambientalista Vandana Shiva.
“Se é a única forma de se alcançar um resultado, então tudo bem. Mas se eu posso controlar pragas fazendo cultivos alternados, não faz sentido introduzir genes permanentemente, para produzir toxinas na minha biodiversidade e permitir a contaminação de outras lavouras”, disse Shiva.
A equipe que criou a batata transgênica diz que agora planeja usar engenharia genética para desenvolver cereais, frutas e outros legumes enriquecidos com proteínas.
Eles esperam que a nova geração de lavouras convença o público dos benefícios dos transgênicos.




