10/06/2003 08h39 – Atualizado em 10/06/2003 08h39
Os seqüestradores de um grupo de cerca de 60 trabalhadores da empresa argentina Techint, que está construindo um gasoduto no Peru, exigiram o pagamento de um resgate de US$ 1 milhão e ameaçaram começar a matar os reféns caso sejam iniciadas operações de busca.
A ameaça foi anunciada na televisão na segunda-feira à noite em um comunicado lido pelo chefe da polícia do Peru, Eduardo Perez.
Os criminosos teriam dito ainda, segundo o comunicado lido por Perez, que os primeiros a morrer seriam três policiais que estão entre os reféns.
A polícia disse ainda que os cerca de 200 homens armados que participaram da ação, na província de Ayacucho, no sudeste do Peru, seriam “supostos integrantes da organização maoísta Sendero Luminoso”.
Estrangeiros:
O governo do país, no entanto, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o comunicado e não descarta o envolvimento de ex-funcionários demitidos pela empresa e de camponeses da região no seqüestro.
Os seqüestradores exigiram, além do pagamento de US$ 1 milhão, 500 caixas de explosivos, detonadores, radiocomunicadores e vários tipos de medicamentos, entre eles antibióticos.
O ministro da Defesa peruano, Aurelio Lorett de Mola, disse que as autoridades estão fazendo tudo que está ao seu alcance para evitar que os reféns corram ainda mais riscos.
Entre os seqüestrados, além dos peruanos estariam quatro colombianos, dois argentinos e um chileno, que prestavam serviços à empresa encarregada de construir um gasoduto que levará gás natural desde a região amazônica do Peru, passando pelas montanhas dos Andes e chegando ao litoral do país.
Explosivos:
De acordo com a polícia peruana, os seqüestradores também roubaram explosivos da Techint, que estavam guardados na sede da empresa.
A polícia diz acreditar que os seqüestradores se refugiaram com os reféns e os explosivos em uma área montanhosa de difícil acesso conhecida como Vizcatan.
Essa região tem forte presença do que ainda resta do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso. Ainda que esteja desmantelada na maior parte do Peru, a organização tem promovido ações esporádicas na região nos últimos anos.
Entre os anos 80 e 90, os grupos guerrilheiros Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Tupac Amaru promoveram diversos atentados e travaram inúmeros combates com tropas do governo peruano.
Os conflitos deixaram um saldo de 30 mil mortos e 7,5 mil desaparecidos em mais de duas décadas.
O Sendero e o Tupac Amaru possuem linhas ideológicas distintas e já chegaram a se enfrentar. O primeiro segue o modelo maoísta e o segundo se inspirou nos movimentos de guerrilha que Che Guevara tentou estabelecer na América Latina.
A operação mais famosa do Tupac Amaru se deu em 1997, quando a organização tomou a residência do embaixador japonês em Lima, fazendo algumas dezenas de reféns.
Após vários dias, tropas peruanas puseram fim ao seqüestro, matando todos os guerrilheiros envolvidos na ação e praticamente encerrando as atividades do Tupac Amaru no Peru.
O Sendero, por sua vez, sofreu um grande revés com a prisão em 1992 de seu então líder, Abimael Guzman – conhecido como Camarada Gonzalo.
Desde então, os ataques realizados pelo grupo se tornaram raros.



