09/06/2003 16h08 – Atualizado em 09/06/2003 16h08
Lideranças do MNLM (Movimento Nacional de Luta por Moradia) e entidades que representam os sem-teto entregaram hoje ao diretor-presidente da Agehab (Agência Estadual de Habitação Popular), Amarildo Cruz, e aos assessores da Secretaria de Estado da Coordenação Geral de Governo, José Donizete de Freitas e Jô Simão, um documento destacando as necessidades e reivindicações do grupo. Entre outros pedidos, estão a regularização de moradias em áreas ocupadas e construção de mais habitações nos assentamentos. A entrega do documento faz parte das manifestações da “Marcha Pela Reforma Urbana”. No Estado, o MNLM tem 58 mil famílias que estão aguardando ser beneficiadas pelo programa da casa própria.
Cerca de 300 pessoas, entre famílias sem-teto e as que foram beneficiadas por assentamento em loteamentos sociais participam da mobilização em Campo Grande. Elas se concentraram primeiro na superintendência da Caixa Econômica Federal, depois seguiram para o Parque dos Poderes, onde foram primeiro ao MPE (Ministério Público Estadual) e depois à governadoria.
Segundo Jô Simão, o governador Zeca do PT deve se reunir com os líderes do movimento em breve para comunicar o que poderá ser atendido. A data não foi marcada.
Moradia: Movimento quer participar de seleção de família:
O Movimento Nacional de Luta pela Moradia concentrou as críticas proferidas nesta manhã, durante caminhada no Parque dos Poderes de sem-teto e famílias que têm casa de programas habitacionais, à política adotada pela prefeitura para a seleção de famílias atendidas pela casa própria. Conforme o líder do movimento, Cleuto Soares, não haveria ilegalidade, mas um problema moral.
Soares disse que a prefeitura não envolve o Movimento na seleção das famílias. A prefeitura faz sorteios. Crítico à administração municipal, Soares diz que há uso político. Ele e o prefeito André Puccinelli são desafetos há anos. O fato citado pelo líder sem-teto para criticar a prefeitura é o programa habitacional adotado na região do Jardim Veraneio.
Conforme Cleuto, só 14 das famílias que estavam na área invadida estariam sendo beneficiadas. Ele disse que quando houve o cadastro inicial era cobrada taxa de R$ 60 para seguro para a Caixa Econômica, muitos não tiveram como pagar e quando a taxa foi cancelada, a inscrição já não era permitida, explicou.
Entre os manifestantes estava um dos excluídos do acesso, Edson da Silva. Mas ele explicou que ficou de fora porque ganhava além da faixa salarial estipulada para o programa pela Caixa. Entre os manifestantes a ordem durante o protesto era não dar entrevistas. O Movimento é parceiro do governo estadual nos programas habitacionais e Soares disse temer que a nova forma de inscrição, via agências fazendárias, também coloque em risco a participação social na definição dos beneficiados.




