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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Grávidas de meninos têm mais fome, diz pesquisa

06/06/2003 14h00 – Atualizado em 06/06/2003 14h00

Mulheres grávidas de meninos tendem a sentir mais fome do que as que esperam meninas, de acordo com uma pesquisa da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

A conclusão corrobora a teoria de que fetos masculinos demandam mais energia das mães e têm maior tendência a desenvolver problemas se não receberem nutrição adequada durante a gestação.

Esse fenômeno continua depois do nascimento – os homens, em geral, seriam mais vulneráveis do que as mulheres à maioria das doenças e riscos presentes no ambiente, por toda a vida.

Os pesquisadores analisaram as dietas de 244 mulheres grávidas que eram atendidas em um grande hospital de Boston, nos Estados Unidos. Eles descobriram que as grávidas de meninos consumiam, em média, 10% mais calorias do que as que esperavam meninas.

Mais alimentos

Em média, as mulheres grávidas de meninos consumiam 8% mais proteína, 9% mais carboidratos, 11% mais de gordura animal e 15% mais de gordura vegetal.

Os pequisadores sugerem que o bebê menino pode liberar secreções químicas de seus testículos em desenvolvimento, que estimulam a mãe a aumentar o consumo de calorias.

O pesquisador-chefe, Dimitrios Trichopoulos, disse que a razão dessa diferença parece ser, simplesmente, o fato de bebês meninos crescerem mais dentro do útero do que as meninas.

Os meninos, em média, têm tendência a pesar 100 gramas a mais do que as meninas no nascimento.

Segundo o professor Trichopulos, “é triste, mas há discriminação na natureza”.

“Por razões evolucionárias – como ter que competir pela preferência das mulheres – os homens têm que ser maiores do que as mulheres e esse fenômeno começa no útero.”

Ele acrescentou que todas as mulheres grávidas devem tentar manter uma dieta balanceada, e aconselhou-as a não se preocupar com sua dieta por causa do sexo da criança.

“É o embrião que sinaliza para a mãe, e não o contrário.”

Polêmica

A tese, porém, não tem unanimidade na comunidade científica.

Gordon Smith, do departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade de Cambridge, disse que os pesquisadores podem ter entendido mal os resultados.

“A presunção é que a dieta é afetada pelo sexo do bebê, mas pode ser que o sexo do bebê seja determinado pela alimentação.”

Smith disse que há estudos que mostram que ratas com uma alimentação rica em gordura têm mais chance de ter filhotes machos.

E mulheres com doenças no sistema digestivo têm mais filhas do que filhos.

Ele também argumentou que as bebês-meninas são mais robustas, o que aumenta a chance de sobrevivência delas mesmo quando a nutrição materna é limitada.

Fonte: BBC Brasil

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