04/06/2003 10h30 – Atualizado em 04/06/2003 10h30
Aproximadamente 1000 famílias de trabalhadores rurais sem-terra ligados ao MST, transferiram o acampamento à margem da BR-163, a seis quilômetros de Itaquiraí, na saída para Eldorado e voltaram a ocupar o interior da fazenda Nova Espadilha de 2.892 hectares. Após uma trégua de aproximadamente seis meses, quando houve a desocupação, mediada pelo governador José Orcírio Miranda dos Santos (Zeca do PT), após audiências concedidas ao pecuarista Marcelo Perdigão Coimbra, os sem-terra resolveram invadir a propriedade que é altamente produtiva.
A invasão já dura 26 dias e antes da ocupação os sem-terra atearam fogo na pastagem. O delegado de Policia Cívil de Itaquiraí – Joel Vicente dos Santos e o tenente da Polícia Militar, Roseni, do Batalhão da PM de Naviraí estiveram no local, e constataram que cerca de cinco alqueires paulista (cerca de 12,1 hectares) de gramíneas foram devastados. Com a ação o MST desrespeita, desafia a Justiça e o governador Zeca do PT que já havia negociado a saída das famílias da propriedade, ano passado.
A PM observa que o espaço entre a BR – 163 e a área de segurança reservada para o estudo das minas de água mineral e medicinal (até o final do ano, em estudo por geólogos da USP – Universidade de São Paulo, a pedido do DNMP – Departamento Nacional de Produção Mineral), foi queimado com o objetivo de limpar a área, visando a transferência dos barracos. E continuam chegando sem-terra no local, preocupando as autoridades.
O proprietário da fazenda Marcelo Perdigão Coimbra já fez através de seus advogados o pedido de reintegração de posse. A Policia Militar e a Policia Civil indicaram como líderes da ocupação os assentados Manoel Messias e Antônio Alves de Lima (Toninho Borborema), em relatório enviado ao Comando Geral de Policia do Interior.
Perdigão Coimbra informou que nas últimas semanas foram registrados outros dois boletins de ocorrência contra os sem-terra, relatando o encontro de 15 carcaças de animais mortos nas proximidades dos barracos e declarou que está preocupado com os resultados finais que podem levar o governo federal a dar ou não a concessão para a exploração do subsolo da propriedade, com a industrialização de água para fins medicinais (uso em hemodiálise). Para o pecuarista que não é contra a luta pela reforma agrária, o MST está equivocado ao usar a fazenda Nova Espadilha com fins políticos, para fazer pressão política quanto ao avanço da reforma agrária. “Nada contra a causa deles, mas não é invadindo terras super-produtivas que vão conseguir sintetizar a paz no campo”. Ele se diz pasmo e afirma que jamais usará força, mas disse que quer ação mais efetiva do governo estadual e federal, já que o sub-solo é de propriedade da União.
Em Itaquiraí existem cinco acampamentos de sem-terra em todos os pontos do Município. Em Eldorado outros três acampamentos também preocupam as lideranças políticas e da Segurança Pública e modificam o cenário principalmente à margem da BR-163.




