02/06/2003 08h49 – Atualizado em 02/06/2003 08h49
Esta é a semana do meio ambiente. Semana em que as autoridades ligadas ao setor aproveitam para reforçar as campanhas de orientação. Um exemplo está no trabalho contra o tráfico de animais. Em Mato Grosso do Sul, do ano passado até agora a Polícia Ambiental apreendeu 2.482 animais silvestres em operações de combate ao tráfico. Os bichos são levados ao Centro de Reabilitação em Campo Grande, que hoje tem 340 hóspedes. Um trabalho que, na maioria das vezes, consegue recuperar e devolver os animais ao hábitat natural.
A bióloga Neiva Guedes disse que normalmente os bichos chegam debilitados, feridos, com problemas sérios de desnutrição.
O animal vai para o atendimento veterinário. A arara vermelha foi apedrejada e está com a asa quebrada. Nas gaiolas, animais mal tratados pelos traficantes. O papagaio levou um tiro na barriga. O outro se recupera de uma fratura na asa. O tucano precisa de cuidados especiais.
A perseguição aos mamíferos é ainda mais desleal. Os traficantes matam os pais para capturar os filhotes. A luta para salvá-los exige paciência. Leite na mamadeira para os filhotes de bugio e macaco prego.
As onças pardas, espécie ameaçada de extinção, também são órfãs. Sem a mãe para ensiná-los a caçar, não sabem procurar comida. O lobinho, acha que é um cachorro. Foi criado assim.
O problema de criar animais silvestres em cativeiro é que eles perdem o instinto selvagem. A anta foi capturada ainda filhote. Foi criada em casa e ganhou nome de gente. Chama-se Tatiana. É tão mansa que ao ver uma pessoa que logo se aproxima querendo um carinho. Jamais vai poder ser solta na natureza.
A boa notícia é que muitos animais tratados no Cras se recuperam. Os papagaios, que seriam vendidos no mercado clandestino, depois de quase um ano de cuidados, voltaram ao Pantanal.
O índice de sobrevivência é de 60%. Do ano passado até agora, mais de 700 animais foram salvos e voltaram a natureza.
As araras azuis quase foram extintas pela ação dos traficantes. Há mais de 10 anos a espécie é monitorada no Pantanal. Subindo em árvores, cadastrando os filhotes, a bióloga Neiva Guedes encontrou o caminho para salvar a espécie. Até micro câmeras foram instaladas nos ninhos para vigiar os filhotes. E na falta de árvores nativas, ninhos artificiais serviram de refúgio para os casais. O resultado: é que no Pantanal a arara não está mais ameaçada porque fazendeiros, policiais se conscientizaram. A população de araras praticamente dobrou e estão surgindo araras azuis até na Bolívia.
Mas para sair da lista dos animais ameaçados de extinção, a arara azul precisa ser protegida também no norte do país, onde ainda existe o tráfico.
Fonte: TV Morena




