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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Pressão por inquérito sobre Iraque aumenta na Grã-Bretanha

02/06/2003 08h59 – Atualizado em 02/06/2003 08h59

As pressões por um inquérito independente para apurar a veracidade das informações atribuídas ao serviço de inteligência da Grã-Bretanha sobre as supostas armas proibidas do Iraque estão vindo de todos os lados da cena política britânica.

Na semana passada, um integrante do serviço de inteligência –que participou da elaboração de um dossiê sobre as armas de destruição em massa– acusou o governo de ter “maquiado” o documento para fortalecer o argumento em defesa da guerra.

A revelação, feita em uma entrevista à BBC, deu fôlego novo aos críticos da decisão de Blair como o ex-ministro das Relações Exteriores, Robin Cook, e a ex-ministra britânica para o Desenvolvimento Internacional, Clare Short, que passaram a defender um inquérito.

Agora, foi a vez dos liberais democratas declararem que “apenas uma sindicância acabaria com os rumores e as críticas” e dos conservadores dizerem que estão “considerando seriamente” a possibilidade de aderir ao movimento por um inquérito independente.

Credibilidade

Questionado sobre a possibilidade do inquérito, o ministro das Relações Exteriores, Jack Straw, disse não ter conhecimento de “provas que sustentem o procedimento”.

A opinião de Michael Howard, do Partido Conservador– que apoiou a guerra–, é diferente.

Ele explicou que a liderança do partido não tem dúvidas sobre a existência das armas de destruição em massa e da validade dos ataques, mas disse que existe uma segunda questão sobre o processo que levou à guerra, que é preciso saber “se o governo disse a verdade e se tentou interferir nas informações da inteligência”, afirmou o político.

“Se esse tiver sido o caso, teremos um problema muito sério no coração da integridade no nosso governo”, acrescentou Howard, referindo-se às alegações de que, entre os detalhes incluídos no documento por ordem do governo, estaria a informação de que o Iraque tinha armas químicas que poderiam ser detonadas dentro de 45 minutos.

“Decisão errada”

A polêmica sobre a existência das supostas armas químicas, biológicas e nucleares, que serviram de justificativa para a guerra, foi reacendida quando o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, disse, no início da semana passada, que era possível que o arsenal tivesse sido destruído antes da guerra.

Após as declarações de Rumsfeld, o ex-ministro Robin Cook, que renunciou antes da guerra, veio a público dizer que se essa admissão já estava sendo feita por uma autoridade americana era porque o Iraque não tinhas armas proibidas, e que a decisão de entrar em guerra foi feita com base em um “erro”.

Em seguida, a ex-ministra Clare Short, disse que o país foi enganado durante o processo que levou à guerra.

Clare Short, que pediu demissão após o início dos ataques, disse que as acusações contra o Iraque tiveram o objetivo de pressionar o público britânico a aceitar a guerra.

“Sinceridade”

Em meio à polêmica, o jornal Daily Telegraph publicou uma pesquisa mostrando que o número de britânicos que acreditam que o Iraque tenha armas químicas, biológicas ou nucleares caiu de 71%, em fevereiro, para 51% na última pesquisa, feita em maio.

A pesquisa mostra ainda que 70% dos entrevistados acreditam que o principal objetivo da guerra era depor Saddam Hussein. Para 55%, o objetivo de Blair era se manter ao lado dos Estados Unidos.

Menos de a metade dos britânicos ouvidos pela pesquisa – 48% – acreditam que o verdadeiro objetivo era acabar com o arsenal proibido do Iraque, que foi a justificativa oficial para o conflito.

O levantamento, feito pelo instituto de pesquisa YouGov, mostrou ainda que a maioria dos entrevistados – 68% – acredita que Blair demonstrou “sinceridade e coragem” antes e durante a guerra.

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