20/05/2003 14h25 – Atualizado em 20/05/2003 14h25
NOVA YORK (CNN) — O chefe da Polícia de Nova York revelou, nesta terça-feira, que a segurança feita por agentes à paisana está sendo reforçada em locais freqüentados por multidões – como as estações de metrô – devido a um alerta do FBI sobre a possibilidade de novos ataques terroristas nos Estados Unidos.
A iniciativa foi descrita pelo dirigente, Ray Kelly, como uma precaução, uma vez que, segundo afirmou à imprensa, a cidade de Nova York em si não recebeu ameaças.
Ainda assim, Kelly decidiu destacar mais policiais à paisana para a patrulha em estações de metrô, pontes e outras áreas sensíveis. Por uma questão de estratégia, o chefe de Polícia esquivou-se de informar, com precisão, quantos homens estão sendo mobilizados.
Nova York é a única cidade norte-americana onde o nível de alerta terrorista é mantido em “laranja”, o que quer dizer “alto”, desde os atentados que pulverizaram as Torres Gêmeas do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001.
No restante dos Estados Unidos, o nível de alerta é “amarelo”, ou “elevado”.
Também nesta terça-feira, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, indicou um novo chefe para a Seção de Contra-Terrorismo do Departamento de Polícia de Nova York.
Trata-se de Mike Sheehan, que terá a seu dispor 1.000 oficiais para os esforços de prevenção de atos terroristas.
O anúncio do reforço da segurança em Nova York aconteceu horas após o Departamento de Estado norte-americano ter determinado o fechamento provisório da embaixada do país e de dois consulados na Arábia Saudita.
A medida é mais uma resposta de Washington aos atentados que mataram 25 pessoas em Riad, na semana passada, e que visaram prédios habitados por estrangeiros.
Indícios na Internet
Por sua vez, um destacado integrante da Comissão de Inteligência do Senado contou que conversas em salas de bate-papo na Internet vêm indicando a iminência de uma ação terrorista.
Na semana passada, o FBI, em um memorando, já havia alertado os órgãos norte-americanos de segurança, bem como outros no exterior, sobre a intensificação dos receios com novos atentados.
“A comunidade de inteligência dos Estados Unidos avalia como prováveis ataques contra alvos norte-americanos e ocidentais no exterior”, dizia o comunicado. “Ataques nos Estados Unidos não podem ser descartados”.
Outras autoridades norte-americanas corroboraram a versão de que a possibilidade de terroristas estarem planejando um grande ataque dentro dos Estados Unidos foi detectada na Internet.
O FBI avisou a autoridades policiais municipais e estaduais que as explosões na Arábia Saudita, bem como no Marrocos, que deixou 42 mortos na última sexta-feira, “podem ser um prelúdio para um ataque nos Estados Unidos”.
Entretanto, algumas autoridades admitem que é difícil distinguir ameaças verídicas de blefes durante a monitoração de conversas entre membros da rede Al Qaeda, de Osama bin Laden, sobre futuras operações.
“Existe alguma conversa indicando os Estados Unidos, mas não sabemos de fato se ela é real”, disse um funcionário do FBI.
Pelo sim, pelo não, o FBI pediu que todas os departamentos de Polícia norte-americanos relatem qualquer atividade suspeita e permaneçam alertas a operações potencialmente terroristas.
Na manhã desta terça-feira, a intensificação da atividade terrorista e a perspectiva de novos ataques levaram o secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Tom Ridge, a participar de uma audiência no Capitólio.
Ridge reconheceu que seu departamento, criado em virtude do 11 de Setembro, ainda tem muito a fazer, mas avisou que as autoridades norte-americanas estão, atualmente, “mais cientes da ameaça terrorista”.
“Estamos significativamente mais seguros do que há 20 meses”, afirmou. “Estamos mais seguros porque, como nação, estão mais cientes da ameaça terrorista e muito mais vigilantes para confrontá-la”.
Alguns funcionários dos órgãos de contra-terrorismo do governo norte-americano vêm sugerindo que Ridge eleve o nível de alerta em todo o país para “laranja”.




