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domingo, 21 de junho de 2026

Iraque tem seu maior protesto contra presença militar estrangeira

19/05/2003 10h48 – Atualizado em 19/05/2003 10h48

BAGDÁ — Na maior manifestação contra os Estados Unidos desde o fim da guerra no Iraque, milhares de muçulmanos xiitas realizaram uma passeata pacífica pelas ruas de Bagdá, nesta segunda-feira, para protestar contra a presença militar norte-americana e rejeitar o que temem ser um governo fantoche instalado por Washington.

A força norte-americana na capital acompanhou a passeata, sem interferir.

Cerca de 10 mil pessoas concentraram-se em frente a uma mesquita da comunidade muçulmana sunita no distrito de Azimiyah, no norte de Bagdá, e seguiram em passeata até o bairro próximo de Kadhamiya, onde está localizado um dos principais santuários xiitas no Iraque. Alguns carregavam retratos do falecido aiatolá Ruhollah Khomeini, do Irã, e de outros importantes clérigos xiitas.

“Nós decidimos nos reunir em frente a uma mesquita sunita para mostrar unidade entre xiitas e sunitas”, declarou Rashid Hamdan, um dos organizadores do movimento.

Hamdan disse que a manifestação foi organizada por grupos religiosos de al-Thawra – um subúrbio de Bagdá anteriormente conhecido como Cidade de Saddam e onde vivem cerca de dois milhões de xiitas.

Desde a deposição de Saddam Hussein pela campanha militar da coalizão, no mês passado, tem havido uma série de manifestações, algumas delas atraindo centenas de pessoas, exigindo o fim da ocupação estrangeira. Mas o protesto desta segunda-feira foi o maior visto até agora.

A multidão repetia palavras de ordem como “Nem xiitas nem sunitas, apenas unidade islâmica”, cantavam músicas religiosas e carregavam faixas com os dizeres: “Não à administração estrangeira” e “Nós queremos iraquianos honestos, não os ladrões”.

Essa última frase pareceu ser uma referência a Ahmad Chalabi, líder do Congresso Nacional Iraquiano, que conta com o apoio do Pentágono para formar o novo governo do país.

Em 1992, um tribunal da Jordânia condenou Chalabi por peculato e fraude.

“O que nós estamos pedindo é um governo interino que represente todos os segmentos da sociedade iraquiana”, disse Ali Salman, um ativista.

Ao final da passeata, que em certo momento chegou a envolver 10 mil pessoas, cerca de cinco mil manifestantes aglomeraram-se em frente ao santuário de Musa al-Kazim, um imã xiita do século nove.

Pequenos grupos de soldados norte-americanos acompanharam a procissão, mas não intervieram, enquanto outros se posicionavam nos telhados em torno do santuário para observar a multidão.

(Com informações da Associated Press)

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