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sábado, 20 de junho de 2026

Morre o jurista Raymundo Faoro

15/05/2003 15h35 – Atualizado em 15/05/2003 15h35

RIO DE JANEIRO (CNN) — O jurista e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) Raymundo Faoro morreu nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, aos 78 anos, vítima de enfisema pulmonar.

Faoro foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de 1977 a 1979, tendo lutado pela anistia ampla, geral e irrestrita, durante o Governo Figueiredo.

O jurista era considerado um dos mais importantes intelectuais do país, publicando livros, ensaios e artigos que se tornaram clássicos do Direito e das Ciências Humanas.

Entre suas obras mais conhecidas estão “Os Donos do Poder” (1958), “A Assembléia Constituinte – A Legitimidade Recuperada” (1980); e “Existe um Pensamento Político Brasileiro?” (1994).

Na ABL, Faoro ocupava a cadeira que foi de Barbosa Lima Sobrinho, para a qual fora eleito em 2000.

Faoro estava radicado no Rio de Janeiro desde 1951, quando se transferiu do Rio Grande do Sul, onde se formou, três anos antes, em Direito, pela Universidade Federal no estado.

O jurista foi também colaborador de importantes jornais do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e de São Paulo.

Colegas de profissão lamentaram a morte de Faoro.

“Além de jurista, Faoro foi um dos mais importantes cientistas sociais brasileiros”, declarou o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Francisco Fausto. “É uma grande perda para todo o país”.

O ministro Luciano de Castilho ressaltou que, durante o regime militar, quem mais defendeu a magistratura foi a OAB, na época presidida por Raymundo Faoro.

“Raymundo Faoro sabia que, se os juízes estão atacados, a ordem jurídica está ofendida e, lamentavelmente, parece que estamos chegando ao mesmo ponto em que Faoro deixou no regime militar”, disse.

“Homem de largo saber, de grande equilíbrio e de extraordinária coragem cívica”, acrescentou o ministro. “A magistratura brasileira deve muito a ele”.

Após velório na sede da Associação Brasileira de Letras, o corpo de Faoro será sepultado no cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.

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