14/05/2003 09h55 – Atualizado em 14/05/2003 09h55
Menos dinheiro; mais preocupação e até risco de prejuízo. Esse é o dilema que os produtores passaram a enfrentar com a redução de recursos do FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste). Muitos fecharam negócios antecipados, agora foram pegos de surpresa com a limitação do crédito para honrar os compromissos e manter a produção.
O pecuarista Ademar Silva Junior cria gado na fazenda, que fica a 45 quilômetros de Campo Grande. Ele viu no FCO uma alternativa para ampliar os negócios. Fez um empréstimo de quase R$ 500 mil no começo do ano.
O Fundo Constitucional do Centro Oeste existe há 15 anos. É uma linha de crédito para os empreendedores que trabalham no campo, no comércio, na indústria e na prestação de serviços. O Fundo foi criado para estimular o desenvolvimento da região central do Brasil com verbas do Governo Federal. Os financiamentos que antes não atraíam o homem do campo por causa das taxas de juros elevadas, nos últimos três anos, começaram a despertar o interesse dos produtores rurais. É que os juros passaram a ser pré-fixados de 8,75%. Resultado muita gente foi ao banco mas, agora, não há dinheiro suficiente para todos que fizeram o empréstimo.
Com a escassez de recursos, nem todos os produtores rurais e empresários que fizeram empréstimos vão botar a mão no dinheiro do FCO. De acordo com o Banco do Brasil, dos 2 bilhões de reais que seriam liberados para o Centro-Oeste, a região vai receber apenas 800 milhões. Mato Grosso do Sul ficaria com 25% desse valor.
Em fevereiro, Ademar recebeu a primeira parcela dos 480 mil reais que pegou emprestado. Usou o dinheiro para comprar seiscentas cabeças de gado. O primeiro lote com trezentos animais já chegou. O restante será entregue nos próximos dias. Diante da incerteza da liberação de novos recursos, o pecuarista não sabe como vai pagar os credores.
O gerente do banco, Carlos Werner, explica que foram definidas prioridades para a liberação dos recursos.
Os juros para produtores rurais variam de 6% a 10,75% dependendo do porte do produtor rural. Para as empresas, os juros variam de 8,75% a 14%. Os financiamentos podem ser feitos em até 12 anos, com até três anos de carência para começar a pagar a dívida.
Segundo o Banco do Brasil, o índice de inadimplência dos empréstimos do FCO é de apenas 1% mas a liberação de novos recursos vai depender do pagamento das dívidas do credor e da liberação de mais verbas por parte do Governo Federal.
Fonte: TV Morena





