14/05/2003 15h40 – Atualizado em 14/05/2003 15h40
BUENOS AIRES — O candidato à Presidência da Argentina Carlos Menem viajou nesta quarta-feira para sua província natal, La Rioja, no norte do país, onde deve anunciar, nas próximas horas, se participará ou não do segundo turno das eleições, no domingo.
O ex-presidente embarcou em um avião oficial da província de Salta, cujo governador, Juan Carlos Romero, é seu companheiro de chapa.
Uma carta atribuída a Menem e distribuída à imprensa – e cujo teor foi rapidamente desmentido por porta-vozes do candidato – sugeriu que o ex-presidente desistiria de enfrentar Néstor Kirchner no segundo turno.
Menem fez uma declaração no final da noite de terça-feira para garantir a seus partidários que não os decepcionaria, mas não revelou qual seria a sua decisão.
Caso anuncie sua desistência, Menem abrirá o caminho para que Kirchner seja declarado automaticamente o vencedor.
No primeiro turno, disputado em 27 de abril, Menem foi o primeiro colocado. Mas, as pesquisas de intenção de voto indicam que o candidato sofrerá uma derrota acachapante para o também peronista Kirchner, no próximo domingo.
Kirchner tem vantagem de entre 30 e 40 pontos percentuais nas pesquisas de opinião.
Governador da província de Santa Cruz, o candidato disse que uma renúncia de Menem seria prejudicial para o processo político na Argentina, que há três anos busca a estabilização.
“Carlos Menem é capaz de tudo”, reagiu, acrescentando que a renúncia representaria um “dano institucional grave” ao país.
Nos últimos dias, Menem negou diversas vezes que estivesse pensando em renunciar.
Entretanto, a perspectiva de um abandono evidenciou-se pela manhã, quando o candidato cancelou um encontro com empresários de órgãos da imprensa.
Posteriormente, Menem, que jamais perdeu uma eleição, também suspendeu a campanha publicitária nos jornais da província de Buenos Aires.
Suspensos os compromissos de campanha, Menem reuniu-se com o candidato a vice em sua chapa, Juan Carlos Romero.
O ministro do Interior, Jorge Matzkin, disse à imprensa que o governo “acompanha com preocupação” os últimos acontecimentos, diante das “implicações institucionais” que uma desistência de Menem possa ter.
(Com informações da Associated Presse, Reuters e France Presse)





