07/05/2003 09h35 – Atualizado em 07/05/2003 09h35
NOVA YORK (CNN) — A Justiça dos Estados Unidos prepara-se para solicitar ao Brasil a extradição de um negociante de arte, Michel Cohen, de 49 anos, que foi detido no Rio de Janeiro, na terça-feira, a pedido das autoridades norte-americanas.
Cohen, que tem nacionalidade francesa, é acusado em Nova York de tentar vender ilegalmente um quadro de Picasso e outro de Monet.
O “marchand” teria enganado pelo menos duas galerias de arte, nos Estados Unidos, além de cometer fraudes no total de 15 milhões de dólares, em três negócios separados envolvendo as obras de arte, afirmaram promotores de Justiça norte-americanos em um processo aberto no Tribunal de Manhattan, em Nova York.
Uma fonte ligada às investigações descreveu Cohen como um homem “com vários endereços em diferentes países”.
Já o promotor Jonathan Halpern declarou que os “EUA pedirão sua extradição do Brasil para os Estados Unidos” a fim de ser levado a julgamento.
O caso envolve 2,5 milhões de dólares em pagamentos que, de acordo com os promotores, Cohen recebeu pela obra “Nu Accroupi”, de Pablo Picasso, e 12,5 milhões de dólares por “Le Repos Dans Le Jardin, Argenteuil”, de Claude Monet.
Em dezembro de 2000, Cohen ofereceu-se para tentar a venda do Picasso num contato com a Richard Gray Gallery, em Nova York, segundo Halpern.
Cohen, ainda segundo o promotor, obteve permissão da galeria para pegar o quadro emprestado, por um dia, a fim de mostrá-lo a um interessado na compra.
Mas Cohen transferiu o quadro para um avião particular, no Aeroporto de Newark, e conseguiu vender a obra para um residente no estado de Iowa, por cerca de 4,5 milhões de dólares, ainda de acordo com o promotor.
O “marchand” não repassou o dinheiro para a galeria nem a informou sobre a transferência e a venda do quadro, disse Halpern.
Em relação ao quadro de Monet, a obra havia sido doada para o Metropolitan Museum of Art, de Nova York, e estava para ser devolvida para a família de uma vítima do Holocausto, que a perdeu durante a Segunda Guerra Mundial.
Cohen ofereceu-se para vendê-la à Beadleston Gallery, também de Nova York, segundo a acusação.
A Beadleston repassou 2,5 milhões de dólares para uma conta bancária de Cohen, em troca do direito à metade dos direitos de propriedade sobre o Monet, e concordou em pagar dentro de um mês os restantes 250 mil dólares pedidos.
Mas Cohen disse à galeria que o preço havia sido reduzido e aceitou o pagamento inicial como sendo definitivo. O outro sócio na compra do quadro não foi identificado no processo.
De acordo com Halpern, Cohen tentou ainda vender o mesmo Monet para outro comprador, dias antes de receber o pagamento da Beadleston.
“Ele negociou separadamente uma venda com um negociante de arte privado da Europa”, declarou o promotor.
Cohen, segundo a acusação, persuadir esse negociante a lhe dar cinco milhões de dólares, na promessa de que ele revenderia a pintura por 6,8 milhões de dólares, devolvendo o investimento feito pelo europeu e dividindo os lucros.
Mas Cohen não entregou o Monet nem os 7,5 milhões de dólares que conseguiu obter em toda a transação.
A Justiça norte-americana não fez comentários sobre o destino das obras envolvidas nas supostas fraudes, limitando-se a informar que as investigações prosseguem.
Se declarado culpado, Cohen pode ser condenado a uma pena máxima de 15 anos de prisão e poderia receber multa de entre 250 mil e 15 milhões de dólares, segundo os promotores.



