07/05/2003 13h58 – Atualizado em 07/05/2003 13h58
A viola-de-cocho, uma das ricas expressões da cultura pantaneira, está prestes a ser considerada patrimônio cultural brasileiro. O pedido de tombamento já foi feito pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e encaminhado ao Ministério da Cultura. O anúncio oficial acontece hoje, às 20h, no Museu de Arte Contemporânea (Marco). A solenidade contará com a presença do Governador Zeca do PT, do secretário de Cultura, Esporte e Lazer, Silvio Nucci, do presidente da Fundação de Cultura de MS, Pedro Ortale, além de autoridades, artistas e demais convidados. Além do anúncio, também serão abertas quatro exposições individuais e uma mostra didática sobre o processo de montagem da viola-de-cocho.
Instrumento encontrado na região do Pantanal, em Mato Grosso do Sul e no Mato Grosso, a viola-de-cocho recebe este nome por ser confeccionada em tronco de madeira inteiriça, da mesma forma como é feito um cocho. É o principal instrumento utilizado no cururu e siriri, danças típicas da região pantaneira.
“Quando um bem cultural como a viola-de-cocho se torna patrimônio, nós podemos ter a segurança de que ele não vai desaparecer. Hoje em dia são pouquíssimas as pessoas que ainda dominam a técnica de confecção e do manejo dessa viola. É dever do Estado a preocupação com questões como essa. Por isso demos início ao processo de tombamento”, diz Pedro Ortale.
O pedido de tombamento foi encaminhado ao Ministério da Cultura no início do mês de maio. De acordo com a Gerência de Patrimônio e Artesanato da FCMS, responsável pela montagem do processo, a tramitação no Ministério pode demorar cerca de seis meses. A viola-de-cocho deverá ser tombada na modalidade “Bem Cultural de Natureza Imaterial”, instituída recentemente para seja preservada a memória e assegurada a transmissão de manifestações culturais, expressões artísticas e conhecimentos tradicionais como terapias, culinárias regionais, festas tradicionais, lendas, mitos e feiras populares.
A cerimônia de anúncio será abrilhantada por um grupo de cururueiros da cidade Corumbá-MS, que apresentará modas típicas. Os tocadores são embalados pelo “Seu” Agripino Magalhães, um dos poucos que ainda confeccionam a viola-de-cocho em Mato Grosso do Sul. “Dos meus oito filhos, só um, que mora no Rio de Janeiro, toca a viola e dança o cururu”, ressalta.
Agripino fala com orgulho do grupo que mantém. Composto por seis integrantes, eles já se apresentaram no Festival de Bonito e em Campo Grande. Em janeiro deste ano lançaram o CD “Cururu Pantaneiro”. “É tudo bonito demais para acabar”, emociona-se o cururueiro ao imaginar a possibilidade de ver a tradição perpetuada.






