07/05/2003 14h05 – Atualizado em 07/05/2003 14h05
Malária, leishmaniose, dengue. Doenças que já estavam controladas voltam a se alastrar pelo país. O crescimento das cidades e a falta de consciência da população estão contribuindo para o surgimento de novos casos.
O mosquito Aedes aegypti, velho conhecido dos brasileiros, foi erradicado das Américas nas décadas de 50 e 60. Mas o descuido da população e a falta de política para destinação de lixo urbano trouxeram de volta o mosquito e a dengue.
O diretor da Fundação Nacional de Saúde no Estado, Gaspar Hickmann, disse que os agentes enfrentam dificuldades para entrar nas casas, além de que muitas pessoas não deixam os agentes borrifar veneno.
Nos últimos três anos, o país viveu uma guerra contra a doença. Em Mato Grosso do Sul foram mais de 11 mil casos ano passado. A leishmaniose, que apareceu no Brasil em 1913 trazida por um italiano, é outra doença que estava sob controle e que se alastrou em praticamente todo o país. Foram mais de nove mil pessoas contaminadas. Marli viu que a cada dia piorava o estado de saúde de seus filhos. Bruno perdeu o apetite e a barriga de Milena começou a inchar.
Era a leishmaniose visceral, doença que mata. Só em Mato Grosso do Sul, 21 pessoas morreram do ano passado até agora. Foram 244 mortes no Brasil. O perigo está nos quintais. O cachorro é o hospedeiro. O transmissor da doença é mais um mosquito, que também precisa de lixo para se reproduzir.
Campo Grande já vive uma epidemia de leishmaniose em cães. De cada dez cães que chegam a o Centro de Controle de Zoonoses, cinco estão doentes. Nas ruas mais uma batalha para acabar com os focos do mosquito. A justiça está autorizando a entrada dos agentes em casas fechadas para borrifar veneno.
A volta de doenças erradicadas e a persistência de doenças que estavam controladas está diretamente ligada a expansão agrícola, ao crescimento das cidades e a facilidade de transporte. É a contradição: em pleno século 21, no mundo sem fronteiras o desenvolvimento trouxe doenças do passado.
Foi o que aconteceu três anos atrás quando um surto de febre amarela reapareceu em Minas Gerais e Goiás matando 62 pessoas. Agora é a vez da malária. Doença que só existia na Amazônia e que está surgindo em centros urbanos. No estado, dois anos atrás os índios de aldeias de Tacuru foram vítimas da malária.
Fonte: TV Morena





