06/05/2003 08h21 – Atualizado em 06/05/2003 08h21
WASHINGTON — Temendo a disseminação de plantas geneticamente modificadas em cultivos de áreas próximas, uma equipe de cientistas desenvolveu, na América do Norte, um sistema preventivo, que, esperam, ajudará a proteger a agricultura normal.
Na pesquisa, uma equipe canadense inseriu inicialmente um gene visando a impedir que as sementes de uma planta germinassem, embora a planta tenha tido crescimento e produção de sementes de uma forma normal.
Em seguida, os cientistas cruzaram essa planta com outra que teve um gene adicionado para reprimir o gene inserido na primeira planta.
O resultado desse cruzamento foi uma planta com sementes viáveis, que poderiam continuar a se propagar indefinidamente, através de um processo de autopolinização.
Mas, quando essas plantas foram cruzadas com plantas normais de tabaco, os dois genes inseridos artificialmente se separaram e as sementes resultantes não cresceram.
O novo sistema de prevenção, desenvolvido por uma equipe chefiada por Johann P. Schernthaner, do Centro de Pesquisas sobre Cereais e Oleaginosas de Ottawa, no Canadá, foi o tema de uma reportagem na edição da revista Proceedings of the National Academy os Sciences, na Internet.
Embora o sistema tenha sido desenvolvido para tabaco, Schernthaner disse acreditar que será aplicável à maioria das colheitas, mas com a ressalva de que os “componentes genéticos envolvidos teriam que ser acessados caso por caso”.
O cientista acrescentou que o estudo mostra que a “contenção de genes modificados é possível em um cenário agrícola”, acrescentando que as “preocupações ambientais podem ser resolvidas de forma simples”.
Doug Gurian-Sherman, diretor de biotecnologia no Centro para a Ciência no Interesse Público, dos Estados Unidos, disse que existem “prós e contras nisso”.
Sherman enfatizou, no entanto, que essa é uma tecnologia que deve ser explorada como uma forma de evitar o “deslocamento” de genes.
Questão econômica
O cultivo de plantas modificadas geneticamente vem crescendo nos Estados Unidos, onde o Departamento da Agricultura estima que 38 por cento do milho plantado neste ano e 80 por cento da soja serão variedades alteradas geneticamente.
Enquanto os consumidores norte-americanos parecem, geralmente, aceitar os alimentos com modificações genéticas, os europeus têm dúvidas em relação a seus efeitos sobre a saúde.
Uma moratória da União Européia à importação desses produtos norte-americanos já está em vigor há quatro anos.
Devido a essa medida, os Estados Unidos deixam de exportar, anualmente, 300 milhões de dólares em milho.
A proibição européia desperta temores, nos Estados Unidos, quanto à possibilidade de polinizações cruzadas com plantas em campos contíguos, o que inviabilizaria a exportação de produtos agrícolas norte-americanos.
(Com informações da Associated Press)




