06/05/2003 09h36 – Atualizado em 06/05/2003 09h36
BRASÍLIA — O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), Jorge Marquez-Ruarte, disse nesta segunda-feira, ao deixar o Ministério Fazenda após reunião com o ministro Antônio Palocci, que considera “adequadas” as propostas de Emenda Constitucional encaminhadas na semana passada pelo governo ao Congresso Nacional.
O representante do FMI disse considerar as reformas “uma questão muito importante para melhorar a política econômica, a eficiência da economia e a eqüidade social no Brasil”.
Ruarte, que chegou na noite de domingo ao país para a terceira avaliação do acordo de US$ 30 bilhões feito com o governo brasileiro no ano passado, elogiou o modo como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem encaminhado o processo das reformas tributária e previdenciária:
“As propostas foram muito discutidas com vários setores sociais e parece contar com o consenso da população”, ressaltou. “Isso para nós é muito importante”.
O chefe da missão do FMI afirmou que não há o que recomendar ao governo, a não ser que ele siga fazendo sempre o que já está fazendo com as reformas tributária e da Previdência.
“O governo tem mostrado muita coragem, muita visão e muita perícia sobre como levar as reformas adiante”, ressaltou, acrescentando que a missão vai estudar mais a fundo as propostas, porém não interferirá no processo.
Inflação ainda preocupa
Ruarte também afirmou que a inflação no Brasil ainda é uma preocupação e está em níveis que requerem atenção, embora já mostre sinais de queda.
Segundo ele, os juros no país poderão cair quando não houver mais expectativas inflacionárias.
Palocci e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, divergiram nesta segunda sobre a possibilidade de sacar ou não a parcela do acordo que pode ser liberada pelo FMI.
Pela manhã, Meirelles ressaltou que o Brasil não vai necessariamente sacar no curto prazo parte dos US$ 20 bilhões restantes do acordo firmado com o FMI.
“Eu não definiria como necessário, mas é uma questão de saber se o Brasil quer ou não reforçar as reservas internacionais”, disse Meirelles.
Segundo Meirelles, as expectativas sobre a revisão do acordo com o FMI são positivas:
“O Brasil está com sua política além das metas estabelecidas com o Fundo”, observou.
Palocci, por sua vez, afirmou ao sair da reunião com os técnicos do Fundo que o Brasil deve fazer uso dos US$ 10 bilhões a que terá direito caso cumpra as metas fixadas.
Meirelles se reúne com os técnicos do FMI na manhã desta terça. Dos US$ 30 bilhões acertados no ano passado com o FMI, cerca de US$ 10 bilhões já foram sacados pelo Brasil.
(Com informações da Agência Brasil)




