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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Lula sinaliza que pode intervir no câmbio para evitar que o dólar caia mais

02/05/2003 08h07 – Atualizado em 02/05/2003 08h07

SÃO PAULO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou nesta quinta-feira, pela primeira vez, que o governo poderá intervir para impedir uma queda ainda maior do dólar, que fechou na véspera do feriado, pelo segundo dia consecutivo, abaixo de R$ 3.

“Não queremos que o dólar caia demais, porque também temos responsabilidades com as nossas exportações e precisamos que o dólar se mantenha numa certa estabilidade”, disse Lula durante discurso na Matriz de São Bernardo do Campo, em comemoração pelo Dia do Trabalho.

Falando do púlpito da igreja para mais de 2 mil pessoas, o presidente destacou a reversão de expectativas da comunidade financeira internacional em relação a seu governo, traduzida no recuo do dólar e na valorização dos títulos do país.

Em tom de desabafo, Lula disse que, quando venceu as eleições, muitos afirmaram que o PT não conseguiria conduzir a política econômica.

Com a valorização do real em relação ao dólar, que acumula 21,69% no ano, e a bem-sucedida emissão de títulos do Tesouro no Exterior feita na quarta-feira, o presidente encontrou disposição para fazer uma brincadeira dirigida ao ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores e hoje deputado federal Vicente Paulo da Silva.

“Vicentinho, se prepare, porque qualquer hora dessas eu entro no Congresso Nacional para lhe comunicar: Vicentinho, o salário mínimo já vale cem dólares”.

As declarações do presidente sobre câmbio vêm depois de divergências entre membros importantes da base governista sobre a conveniência de uma intervenção do governo para deter a queda da moeda norte-americana em relação ao real.

Na semana passada, o ministro da Fazenda, Antônio Pallocci, e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, divergiram sobre o tema.

Mercadante defendeu a necessidade de o Banco Central agir para segurar o dólar preocupado com o desempenho da balança comercial.

Pallocci, porém, afastou a possibilidade de intervir no câmbio.

(Com informações da RBS)

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