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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Sars: Pequim está otimista; Hong Kong descobre vestígios do vírus

02/05/2003 14h04 – Atualizado em 02/05/2003 14h04

HONG KONG — O diretor do Departamento da Saúde de Pequim, Liang Wannian, declarou, nesta sexta-feira, acreditar que a epidemia da síndrome respiratória aguda grave (Sars) foi controlada na capital chinesa, ao mesmo tempo em que uma nova complicação preocupa Hong Kong.

“A epidemia chegou a um ponto estável e tende a ser contida (na capital)”, disse Wannian, em entrevista à agência de notícias oficial chinesa Nova China.

“Se o vírus não sofrer mutações e continuar no mesmo curso que em Hong Kong e na província de Guangdong, espero que o número de casos diminua em Pequim nos próximos 10 dias”.

Durante a última semana, a epidemia de Sars espalhou-se drasticamente por Pequim, com o governo da cidade colocando em prática medidas rígidas de isolamento da população para conter o vírus.

Nesta sexta-feira, autoridades de saúde confirmaram 176 novos casos e mais 11 mortes na China, sendo 96 ocorrências e nove mortes só na capital.

Até agora, cerca de 1.600 pessoas foram infectadas com Sars e 91 morreram na capital, a cidade mais afetada pela doença na China.

Desde o surgimento do primeiro caso, no sul do país, em novembro passado, a Sars infectou mais de 6.000 pessoas na China, com pelo menos 400 mortes, em cerca de 30 países e territórios.

Vestígios do vírus

Com os especialistas correndo contra o tempo para encontrar uma cura para a Sars, médicos em Hong Kong informaram a descoberta de vestígios do vírus nas fezes e urina de pacientes que foram liberados de um hospital porque se pensava que não estariam mais contaminados.

O Departamento de Saúde de Hong Kong informou que os especialistas estão estudando por quanto tempo os pacientes que se recuperam da Sars poderiam transmitir o vírus através de urina e fezes.

Testes também estão sendo feitos para verificar se esses vestígios de vírus são infecciosos. Em caso positivo, a descoberta poderia representar uma séria complicação para conter a propagação da doença.

Os médicos informaram ainda que há evidências de que a Sars deixa cicatrizes permanentes no pulmão dos pacientes afetados pela doença, além de causar possíveis recaídas.

As cicatrizes, conhecidas como fibrose pulmonar, ocorrem quando os tecidos do pulmão morrem e são incapazes de transportar o oxigênio.

O nível da incapacidade pulmonar depende da extensão dos danos, mas cicatrizes profundas podem prejudicar bastante os pacientes.

A Sars parecia ter diminuído em Hong Kong, mas as autoridades locais registraram 11 novos casos e oito mortes nesta sexta-feira. Dois dias antes, outras 12 pessoas voltaram a ser internadas por causa da doença.

Seis desses pacientes de Hong Kong que sofreram recaídas já se recuperaram e foram liberados. Os outros seis ainda estão internados, mas em boas condições de saúde, de acordo com as autoridades.

Segundo os médicos, é provável que esses pacientes não estavam totalmente recuperados quando receberam alta pela primeira vez, ou que seus sistemas imunológicos foram enfraquecidos de tal maneira que os deixaram vulneráveis a outras infecções.

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