02/05/2003 15h40 – Atualizado em 02/05/2003 15h40
Um tribunal de apelação na Sicília absolveu nesta sexta-feira o ex-primeiro-ministro italiano Giulio Andreotti da acusação de cumplicidade com a Máfia.
Andreotti, de 84 anos, é uma figura importante na política italiana do pós-guerra e foi primeiro-ministro por sete vezes.
O juiz Salvatore Scaduti disse ao tribunal que a promotoria não conseguiu provar a culpa de Andreotti.
No entanto, Scaduti surpreendeu ao cumprimentar tanto a defesa quanto a acusação pelo que descreveu como trabalho inteligente e pacífico durante o processo.
Tensão
O julgamento começou em meio à tensão entre políticos e o Judiciário em relação à forma como estava sendo conduzido o caso de corrupção envolvendo o primeiro-ministro Silvio Berlusconi e um assessor.
Andreotti não compareceu ao tribunal para ouvir a sentença e disse que esperaria pelo resultado em Roma.
O ex-premiê foi absolvido no primeiro julgamento, há quatro anos, mas a promotoria recorreu da decisão. O novo julgamento começou em abril de 2001.
Andreotti foi descrito por Antonino Giuffre, um desertor da Máfia, como um contato-chave da organização criminosa. Giuffre disse que os chefões mafiosos pediram a Andreotti que os protegesse dos juizes.
Andreotti também era acusado de ter trocado o chamado beijo de honra com o chefão Salvatore Riina nos anos 80. Atualmente, Riina cumpre pena de prisão perpétua.
No ano passado, Andreotti foi condenado a 24 anos de prisão pelo assassinato do jornalista italiano Mino Pecorelli, no fim dos anos 70.
Qualquer que seja o resultado da apelação no caso, o ex-premiê não deve cumprir a pena na prisão por causa de sua idade. A Itália não permite o encarceramento de ninguém com mais de 75 anos.




