18.6 C
Três Lagoas
sábado, 20 de junho de 2026

Morre Aureliano Chaves

30/04/2003 15h27 – Atualizado em 30/04/2003 15h27

BELO HORIZONTE (CNN) — Morreu nesta terça-feira, em Belo Horizonte, o ex-vice-presidente e ex-governador de Minas Gerais Aureliano Chaves, em conseqüência de falência múltipla dos órgãos, após um período de 16 dias de hospitalização.

Aureliano, 74 anos, estava internado no Hospital Socor, na capital mineira, com crise de diabetes, insuficiência cardíaca e infecção pulmonar.

No último fim de semana, o político – o último vice-presidente do regime militar no Brasil (no governo de João Baptista de Figueiredo) – chegou a ser submetido a uma cirurgia na perna esquerda, para a implantação de uma ponte de safena.

Engenheiro e professor, Antônio Aureliano Chaves de Mendonça nasceu em Três Pontas em 13 de janeiro de 1929.

No final dos anos 1950, ingressou na política, elegendo-se suplente de deputado estadual pela extinta UDN (União Democrática Nacional).

Em 1962, trocou brevemente o Legislativo pela diretoria da Eletrobrás. No ano seguinte, elegeu-se novamente deputado estadual, mas acabou abrindo mão do mandato para servir ao governo de Magalhães Pinto como secretário do governo mineiro, ocupando primeiramente a pasta da Educação e, posteriormente, a de Comunicações e Obras Públicas.

Em 1964, participou do movimento que depôs o então presidente João Goulart e, no ano seguinte, filiou-se à direitista Arena.

Em 1967, assumiu mandato de deputado federal. Em 1975, após ser indicado pela Presidência da República e ter o nome referendado pela Assembléia Legislativa, tornou-se governador de Minas Gerais.

Em julho de 1978, renunciou ao mandato para concorrer como vice na chapa de Figueiredo à sucessão do general Ernesto Geisel.

Já como um dos líderes do PDS (Partido Democrático Social), Aureliano apoiou, por conta do chamado “Acordo de Minas”, a candidatura do oposicionista Tancredo Neves à sucessão de Figueiredo, em 1985.

Com a morte de Tancredo e a ascensão de José Sarney ao Palácio do Planalto, o ex-governador tornou-se ministro das Minas e Energia. Em 1989, disputou a Presidência da República, nas eleições vencidas por Fernando Collor de Mello.

Reações

O corpo de Aureliano Chaves foi levado para o Palácio da Liberdade, sede do governo de Minas Gerais, onde o velório acontece.

O sepultamento, de acordo com familiares, será na cidade mineira de Itajubá, nesta quinta-feira.

Em Brasília, o senador Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas Gerais, solicitou que a sessão da Casa fosse encerrada mais cedo, nesta quarta-feira, em homenagem a Aureliano. Os colegas aprovaram o requerimento.

“Foi um homem de qualidade acima da média e que desempenhou um papel importante na democratização do Brasil. Nós mineiros e brasileiros estamos enlutados neste momento”, disse Azeredo.

Em nome do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador petista Aloizio Mercadante também rendeu homenagem a Aureliano, ressaltando o nacionalismo como sua marca essencial.

O senador Antonio Carlos Magalhães, alvo de um processo de cassação, destacou a seriedade e a honestidade de Aureliano.

Já o ex-vice-presidente Marco Maciel lembrou a participação do político mineiro na formação da frente liberal que resultou na vitória de Tancredo Neves e José Sarney para a Presidência e vice-presidência da República.

Por sua vez, Sarney mostrou-se emocionado ao encerrar a sessão no Senado. “”Eu nunca esperei na minha vida ter de presidir uma sessão com voto de pesar por Aureliano Chaves”, disse, sobre o amigo.

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.