30/04/2003 16h20 – Atualizado em 30/04/2003 16h20
JERUSALÉM (CNN) — O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Daniel Kurtzer, entregou nesta quarta-feira o “mapa do caminho” para a paz no Oriente Médio ao primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon.
Em Ramallah, Terje Larsen, o enviado das Nações Unidas à região, manteve um encontro com o recém-empossado primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas, e lhe entregou o plano.
O “Quarteto de Madrid” – formado por Estados Unidos, Rússia, União Européia e Nações Unidas – elaborou o plano que estabelece uma série de medidas recíprocas para o reinício das negociações de paz visando à criação de um Estado palestino, coexistindo com Israel, em segurança.
A proposta pede aos palestinos que reprimam grupos identificados com atos de terrorismo e a Israel que se retire de cidades palestinas e desmantele assentamentos judaicos construídos desde 2001.
Caso todas as precondições sejam cumpridas, um Estado palestino, com fronteiras provisórias, poderia ser estabelecido até o fim deste ano e o processo seria concluído em três anos.
Abbas, mais conhecido como Abu Mazen, declarou em um pronunciamento ao Legislativo palestino, na terça-feira, que o “mapa do caminho” deveria ser aceito como apresentado, sem mudanças.
Mas o governo israelense pressiona pela realização de pelo menos seis mudanças no plano.
Uma importante autoridade norte-americana disse que o presidente George W. Bush fará comentários, ainda nesta quarta-feira, sobre o plano.
O Departamento de Estado informou, por sua vez, que o secretário Colin Powell conduzirá essa questão.
De acordo com a fonte de Washington, a mensagem de Bush será a de que o “presidente está assumindo pessoalmente o compromisso de alcançar a paz, não importa o tempo que leve” e que a Casa Branca está se preparando para “trabalhar com uma nova liderança palestina, que não seja manchada pelo terror”.
Os EUA vinham condicionando a apresentação do plano à posse de um primeiro-ministro palestino, com poder necessário para governar.
Isso aconteceu quando Abu Mazen e os 24 membros de seu gabinete tomaram posse, na manhã desta quarta-feira, numa cerimônia à qual compareceu o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, em Ramallah.
O gabinete de Abu Mazen havia recebido a aprovação do Legislativo palestino na noite de terça-feira.
Em seu discurso, o premier disse que “não existe uma solução militar para o conflito palestino” e prometeu pôr fim ao que chamou de o “caos armado”, com medidas firmes contra grupos militantes nos territórios palestinos.
Poucas horas depois, um atentado suicida, numa área de bares e restaurantes de Tel Aviv, em Israel, causou a morte de pelo menos três pessoas e feriu cerca de 50.
A ala militante da organização Hamas, e a milícia das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa – ligada ao movimento Fatah, de Arafat – anunciaram ter realizado conjuntamente o ato terrorista a fim de enviar uma mensagem ao governo palestino de que “ninguém pode desarmar os movimentos de resistência sem uma solução política”.




