30/04/2003 16h33 – Atualizado em 30/04/2003 16h33
SÃO PAULO – No dia em que o principal título da dívida externa brasileira, o C-Bond, bateu seu recorde histórico sendo negociado a 88,37% de seu valor de face, o mercado acionário brasileiro realizou lucros e o dólar subiu. Apesar do otimismo dos mercados, a virada de mês impôs ajustes à maioria dos ativos. Depois cair até 1,33%, o dólar à vista fechou a R$ 2,906 na compra e R$ 2,911 na venda, com baixa de 0,13%. Com isso, terminou o mês de abril em queda de 13,23%, acumulando desvalorização de 17,88% no ano. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o pregão viva-voz contabilizando baixa de 0,70%, com o Índice Bovespa em 12.587 pontos. O volume financeiro às 16h45m era de R$ 678 milhões. O pregão eletrônico vai até as 17h.
Os ajustes não atingiram o mercado de títulos da dívida externa brasileira, embalado pelo sucesso da emissão de US$ 1 bilhão em bônus do governo. O C-Bond bateu hoje seu recorde histórico, ao atingir a cotação inédita de 88,375% do seu valor de face (+1,5%). O risco-país marcava 817 pontos-base no final da tarde, já sinalizando romper mais um patamar.
A surpreendente demanda pelos bônus brasileiros lançados na terça-feira (mais de US$ 6 bilhões) continuou a animar o mercado. A expectativa agora é que a operação possa incrementar as captações do setor privado. Bancos como Bradesco, Unibanco e Votorantim são exemplos de captações mais recentes, que reforçam as estimativas de que o dólar tem espaço para mais quedas, se o Banco Central (BC) não intervir. E o BC contrariou especulações de que não renegociaria a totalidade de uma dívida de US$ 1,5 bilhão que vence no dia 7. Com um novo leilão de contratos de swap cambial, garantiu hoje a rolagem integral da dívida.
Outra boa notícia da quarta-feira foi o superávit primário de US$ 6,75 bilhões registrado em março. O superávit apurado nas contas públicas consolidadas no primeiro trimestre superou a meta firmada com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para o período. O acordo fechado junto ao Fundo exigia economia de pelo menos R$ 15,4 bilhões para o pagamento de juros. O Brasil conseguiu economizar R$ 22,8 bilhões.
A queda do dólar só não se sustentou, segundo analistas, devido aos movimentos típicos de fim de mês. Os relatos nas mesas de operação são de que os investidores do mercado futuro forçaram uma queda forte pela manhã para garantir a queda da Ptax, média das cotações do dólar no dia, que leva em conta os volumes negociados. A Ptax de hoje é referência para a liquidação de contratos no mercado futuro de câmbio. Ao conseguir obter uma Ptax abaixo de R$ 2,90, os investidores recompraram parte dos dólares que haviam vendido.
Ainda no rol das boas notícias esteve a entrega das propostas das reformas estruturais, feita pessoalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final da tarde. Com o bom desempenho da economia e alta popularidade do governo dentro e fora do país, a expectativa é de avanço nos trabalhos do Congresso para aprovar as propostas, previamente consentidas pelos governadores. A inflação em desaceleração foi outra boa notícia, mas não evitou uma alta das taxas de juros.
Nos negócios na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os juros futuros se ajustaram para cima logo na abertura. Um dos motivos alegados para o ajuste, além da virada do mês, é que o presidente do BC, Henrique Meirelles, sinalizou descartar uma queda da taxa básica de juros no curtíssimo prazo. O Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2004, o mais negociado, fechou em 24,00% ao ano, com alta de 0,79%.
- O último dia do mês é sempre mais complicado, por conta dos ajustes. A tendência do dólar ainda é de baixa para os próximos dias, mas os movimentos de realização de lucros continuarão – disse Sérgio Machado, diretor de tesouraria do Banco Fator.
BLACK – O dólar paralelo negociado em São Paulo fechou o dia em baixa de 0,32%, cotado a R$ 2,97 na compra e R$ 3,06 na venda. No Rio, o document.write Chr(39)document.write Chr(39)blackdocument.write Chr(39)document.write Chr(39) terminou o dia valendo R$ 2,80 na compra e R$ 3,00 na venda, 1,63% a menos que o valor fechamento anterior. O dólar turismo de São Paulo caiu 0,99% no fechamento e rompeu o patamar dos R$ 3,00, ao fechar a R$ 2,85 e R$ 2,98 na compra e venda, respectivamente.






