23/04/2003 08h08 – Atualizado em 23/04/2003 08h08
Um importante líder conservador nos Estados Unidos criticou duramente nesta terça-feira o Departamento de Estado americano, acusando-o de sabotar a política externa do presidente George W. Bush.
Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara dos Representantes e membro do Partido Republicano, disse que foi a estratégia do Departamento de Estado que enfraqueceu a posição dos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU e impediu que os americanos obtivessem um apoio maior à ofensiva militar contra o Iraque.
Para Gingrich, o “ineficiente e patético” Departamento de Estado perdeu a batalha pelo apoio da opinião pública na questão, apesar de “uma patética campanha de apertos de mãos e desespero” que não conseguiu garantir maioria no Conselho de Segurança para aprovar uma segunda resolução contra Saddam Hussein.
“Foi uma fantástica derrota diplomática”, disse.
Neoconservadores
Segundo o correspondente da BBC em Washington Steve Schiefferes, as afirmações de Newt Gingrich são uma manifestação clara de uma campanha movida por neoconservadores americanos para fazer com que Departamento de Estado mude seu perfil, passando a seguir o exemplo do Departamento de Defesa sob o controle de Donald Rumsfeld.
Para Schiefferes, as desavenças dentro do governo de George W. Bush parecem ter se intensificado ao final da guerra contra o Iraque, com debates internos sobre como deve ser a postura americana em relação à Síria, ao Irã, à Coréia do Norte e à reconstrução do Iraque.
Além de criticar a postura do Departamento de Estado e do secretário Colin Powell no tocante ao Iraque, Gingrich também apresentou ressalvas à decisão do Departamento de trabalhar em conjunto com Rússia, União Européia e Nações Unidas para implementar um novo plano de paz para o Oriente Médio.
“Esse é um esforço proposital e sistemático para sabotar as políticas do presidente, pois elas serão enfraquecidas e distorcidas pelos outros três membros”, disse.
“Convidá-los para formar um quarteto é um derrota absoluta antes mesmo do processo ter começado.”
Sérias desavenças
O Departamento de Estado e o Pentágono teriam sérias desavenças sobe como lidar com algumas das questões centrais da agenda externa americana.
O secretário de Estado, Colin Powell, anunciou que deve realizar uma viagem à Síria, país que foi criticado pelo secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, por supostamente abrigar membros do governo de Saddam Hussein no Iraque e dar apoio a grupos extremistas.
Para Gingrich, Powell não deveria viajar à Síria enquanto o país “abriga abertamente” sete organizações “terroristas” e num momento em que “os militares americanos criaram uma oportunidade genuína de pressionar (o país) economicamente, diplomaticamente e politicamente”.
Anteriormente, o Pentágono teria deslocado bombardeiros stealth (que não podem ser captados por radares convencionais) para perto da Coréia do Norte, enquanto Powell estava viajando à China para tentar organizar uma rodada de negociações para diminuir a tensão entre Washington e Pyongyang.
De acordo com o jornal americano Washington Post, mais recentemente Rumsfeld teria tentado substituir o sub-secretário de Estado americano James Kelly por um outro representante americano, mas linha-dura, na rodada de negociações com os norte-coreanos que começou nesta quarta-feira em Pequim, na China.





