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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Arafat e Abu Mazen chegam a acordo sobre novo gabinete

23/04/2003 13h45 – Atualizado em 23/04/2003 13h45

RAMALLAH, Cisjordânia — O primeiro-ministro nomeado Mahmoud Abbas, mais conhecido como Abu Mazen, e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, superaram um impasse que ameaçava a apresentação de um novo gabinete, poucas horas antes do fim do prazo, marcado para a meia-noite desta quarta-feira, informaram autoridades palestinas.

O presidente do Legislativo, Ahmed Qurei, disse ter sido informado por Abu Mazen e Arafat de que o novo gabinete foi formado e que a lista de ministros estava pronta para ser apresentada ao parlamento.

“Nos pediram a convocação de uma sessão especial da Legislatura palestina para um voto de confiança no novo governo”, declarou Qurei. “Eu convocarei a sessão… dentro de uma semana”.

O acordo entre Arafat e Abu Mazen foi mediado pelo chefe da Segurança do Egito, Omar Suleiman, disseram fontes palestinas à CNN.

Abu Mazen dirigiu-se ao gabinete de Arafat depois de Suliman ter mantido uma reunião com o presidente da Autoridade Palestina, em Ramallah.

O acordo, segundo as fontes, inclui o ex-chefe da Segurança de Gaza Mohammed Dahlan no cargo de ministro da Segurança, como Abu Mazen queria.

Sem dar detalhes sobre o acordo, as fontes palestinas disseram que um anúncio de que o gabinete foi aceito por ambos os lados deve ser feito antes da meia-noite.

Reação israelense

A primeira reação de Israel ao anúncio sobre o acordo foi cautelosa.

Ehud Olmert, membro do governo e um dos principais assessores do primeiro-ministro Ariel Sharon, declarou que é prudente aguardar.

“A gente deveria julgar as ações e não as declarações”, afirmou. “Temos que esperar e ver se o novo gabinete será, de fato, empossado e como agirá, levando em conta a forte resistência de Arafat a ele e sua capacidade de minar qualquer processo de reforma”.

Pressões internacionais

As diferenças entre os dois líderes têm sua raiz numa luta pelo poder, com Arafat buscando reter o máximo controle que pode sobre a Autoridade Palestina, disseram fontes à CNN.

Na última semana, Abu Mazen declarou não ter a intenção de ser um primeiro-ministro sem autoridade genuína.

Uma das divergências gira em torno da inclusão de Dahlan no gabinete.

Arafat defendia que um de seus aliados, o atual ministro do Interior Hani al-Hasan, assumisse a pasta da Segurança, contrariando Abu Mazen.

O acordo, depois de quatro dias de impasse, foi obtido em meio a uma enorme pressão internacional sobre Arafat, para que o líder palestino aceitasse o gabinete de Abu Mazen e evitasse um novo impasse nos esforços para reiniciar o processo de paz entre Israel e os palestinos.

Nas últimas 48 horas, Arafat recebeu visitas de enviados de países árabes e da Rússia, além de mensagens ou telefonemas de autoridades da Grã-Bretanha, das Nações Unidas, da União Européia e dos Estados Unidos.

O premier britânico Tony Blair ligou para Arafat, na terça-feira, e o exortou a ajudar Abu Mazen, segundo uma autoridade palestina.

Uma autoridade do Departamento de Estado norte-americano informou que o secretário Colin Powell conversou, na segunda-feira, com o chefe da política externa da União Européia, Javier Solana, para discutir a situação palestina.

A mensagem de Powell, segundo a fonte, foi: “É tempo de Arafat recuar”.

A formação de um novo gabinete palestino é a principal condição para que o “Quarteto” de Madrid – formado por Estados Unidos, Rússia, Nações Unidas e União Européia – divulgasse o chamado “mapa do caminho” para a paz.

Sob os procedimentos legais da Autoridade Palestina, se um novo governo não fosse apresentado no prazo, Arafat, como presidente, teria que nomear outra pessoa para formar um gabinete.

(Com informações da Reuters e da Associated Press)

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