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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Powell planeja visitar a Síria

17/04/2003 14h25 – Atualizado em 17/04/2003 14h25

WASHINGTON (CNN) — O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, está planejando uma viagem à Síria para manter conversações “francas” com o presidente Bashar Assad, o ministro das Relações Exteriores, Farouk al-Sharaa, e outras autoridades.

O anúncio foi feito numa semana de crescentes pressões diplomáticas sobre a Síria por parte do Governo Bush, que chamou o vizinho do Iraque de um “Estado pária” e o acusou de desenvolver armas de destruição em massa.

A Síria, que rejeitou essas acusações e a de que estaria recebendo líderes do antigo regime de Saddam Hussein, reagiu introduzindo uma resolução, no Conselho de Segurança da ONU, que declararia o Oriente Médio uma zona livre de armas de destruição em massa.

A resolução foi apresentada na quarta-feira, com o apoio dos 22 países membros da Liga Árabe.

Em entrevista concedida na quarta-feira, Powell disse que os Estados Unidos entregaram à Síria informações sobre pessoas associadas ao regime de Saddam, que Washington suspeita terem fugido do Iraque para o país vizinho.

Powell confirmou ainda seus planos para visitar Damasco, mas não revelou a data da possível viagem.

O embaixador sírio nos Estados Unidos, Rostom al-Zoubi, elogiou a disposição do secretário norte-americano a visitar seu país.

“É uma boa notícia, é um passo na direção certa porque o diálogo direto com os Estados Unidos é melhor do que acusações à distância”, declarou o diplomata em entrevista ao jornalista Larry King, da CNN.

Powell, por sua vez, relatou ter conversado na quarta-feira com a ministra das Relações Exteriores da Espanha, Ana Palacio, sobre as “mensagens que ela pode transmitir” na sua visita a Damasco, neste fim de semana.

O governo sírio vem rejeitando veementemente as acusações norte-americanas de que autoridades iraquianas se refugiaram na Síria.

Al-Zoubi disse a Larry King que seu país não deu guarida a “nenhum integrante do regime iraquiano, nem antes, nem depois da guerra”.

O ministro Al-Sharaa declarou à CNN que tais alegações fazem parte de uma campanha de “desinformação”.

“Essas acusações são infundadas e visam a desorientar a opinião pública”, afirmou Al-Sharaa.

Segundo Powell, os Estados Unidos notificaram “os sírios de que há indivíduos na Síria que deveriam ser repatriados ao Iraque para que sejam levado à Justiça iraquiana”.

“Nós fomos francos com os sírios, e também deixamos claro que não achamos que seja do interesse deles se envolver com pessoas que estão tentando fugir do Iraque ou de outros países”, insistiu.

Polêmica

Farouk Hijazi, ex-chefe do temido serviço de inteligência Mukhabarat, de Saddam Hussein, é um dos iraquianos procurados que os Estados Unidos acreditam estar na Síria.

Uma autoridade norte-americana declarou à CNN que Hijazi “havia chegado ao país na terça-feira, em um vôo procedente de Tunis”, na Tunísia.

Hijazi, que ocupava recentemente o cargo de embaixador iraquiano na Tunísia, entrou na Síria com passaporte diplomático iraquiano, de acordo com autoridades norte-americanas.

O Ministério das Relações Exteriores sírio negou na quarta-feira que Hijazi estivesse na Síria, afirmando que rejeitou seu pedido de entrada no país.

Segundo autoridades norte-americanas, Hijazi é suspeito de envolvimento numa tentativa fracassada de agentes da inteligência iraquiana de assassinar o ex-presidente George Bush no Kuwait, em 1993.

(Com informações da Associated Press)

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