15/04/2003 08h06 – Atualizado em 15/04/2003 08h06
O programa Fome Zero indígena, lançado ontem em Dourados pelo ministro da Segurança Alimentar, José Graziano, vai receber R$ 5 milhões do governo federal e outros R$ 500 mil da contrapartida do governo do Estado. Graziano e o governador Zeca do PT explicaram que a verba federal não será destinada à compra de alimentos, que continuará sendo feita pelo Estado. Também não anunciaram o aumento do número de famílias atendidas. Continuarão sendo atendidas 11.330 famílias indígenas. Graziano chegou a Dourados por volta de 14 horas, com 90 minutos de atraso. O governador, que o esperava no aeroporto, brincou com o ministro dizendo que ele estava matando as pessoas que o aguardava de fome. O ministro e o governador almoçaram em um restaurante no centro de Dourados. De acordo com o ministro, o programa de atendimentos aos índios começa em MS já nas fases seguintes do Fome Zero, que visam incentivar a produção para subsistência, o resgate da tradição, através de ações de educação e cidadania, e a implantação de programas de geração de renda, que no caso dos índios será principalmente a fabricação de produtos artesanais. Graziano disse que a Embrapa terá papel fundamental nas ações de atendimento aos povos indígenas. “A Embrapa vai recuperar o papel de apoiar as comunidades carentes e no caso dos índios vai desenvolver projetos de produção agrícola com produtos tradicionais indígenas, que era plantados antes da colonização”, explicou. Graziano anunciou que as comunidades indígenas de MS terão mais R$ 15 milhões do programa Fome Zero. Segundo ele, o convênio, assinado ontem, será renovado nos próximos três anos. A verba de R$ 5,5 milhões, liberada ontem, é a primeira do Ministério exclusivamente para as comunidades indígenas. Funai O presidente da Funai, Eduardo Aguiar Almeida, adotou postura crítica no discurso que fez ontem no Teatro Municipal. “Se não demarcar as terras indígenas, combater a fome dos índios não terá efeito”, afirmou. Segundo ele, o Brasil só será uma democracia se incluir os índios com educação multicultural e demarcação de terras. Em Mato Grosso do Sul, existem pelo menos oito áreas de conflito entre índios e fazendeiros. As terras estão em processo de identificação. Algumas estão ocupadas pelos índios, como é o caso da fazenda Brasília do Sul, em Juti.



