15/04/2003 08h52 – Atualizado em 15/04/2003 08h52
O senador Delcídio do Amaral (PT/MS) reclamou ontem em Dourados de parlamentares que integram a bancada federal de Mato Grosso do Sul no Congresso. Segundo ele, em 2002, “alguns” parlamentares boicotaram os projetos petistas em Mato Grosso do Sul, com a intenção de prejudicar o PT na eleição para governador e presidente da República. Sem citar os nomes dos deputados que teriam feito o boicote no governo federal, Amaral declarou que a interferência ajudou a atrasar o andamento do projeto do ramal do gasoduto para Dourados. “Não é generalizado, mas alguns parlamentares da bancada jogaram contra nós. Fomos vítimas da atuação nefasta de alguns parlamentares”, afirmou o senador. As declarações foram feitas durante entrevista coletiva no gabinete do prefeito Laerte Tetila (PT). O deputado federal João Grandão (PT) e o vice-presidente estadual do PT, Mariano Cabreira, acompanharam a entrevista. Ele também afirmou que o PMDB deve discutir nos próximos dias a indicação de titulares de cargos federais no Estado. Segundo o senador petista, o governo decidiu trazer o PMDB para a base aliada, garantindo dessa forma a maioria na Câmara e no Senado. Embora tenha citado o ramal do gasoduto como um dos projetos que teriam sofrido boicote de parlamentares de oposição ao PT, Delcídio do Amaral admitiu que todos os projetos relacionados ao gás boliviano foram suspensos no ano passado. “O Brasil parou no segundo semestre. O país estava esperando a definição política”, declarou. Segundo ele, o atraso no projeto do ramal do gás não é característica única de Dourados. “Os projetos do gás no Sudeste e na Amazônia também pararam”, explicou. O senador disse que os estudos para a implantação do ramal do gás até Dourados serão retomados em breve. Segundo ele, as parcerias com grupos internacionais, interessados em explorar o sistema, foram mantidas. Reformas Delcídio do Amaral afirmou acreditar em “problemas” para alguns estados (entre os quais MS) com a unificação das alíquotas de ICMS e a mudança da taxação do imposto para os locais de consumo, previstos na reforma tributária que está sendo elaborada pelo governo Lula. Ele adiantou em Dourados que o governo federal vem realizando estudos para criar uma forma de compensação aos estados prejudicados com a reforma tributária. “O governo federal está tratando o assunto com cautela, para a proposta de compensação não soar como uma promessa”, afirmou. Amaral não soube informar qual seria impacto da reforma na arrecadação de Mato Grosso do Sul. “A Secretaria de Fazenda ainda está realizando os estudos e o assunto está sendo discutido internamente no governo”, disse. Segundo o senador, as propostas de reforma tributária e da reforma da Previdência serão entregues pelo governo ao Congresso no dia 26 de maio.






