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quinta-feira, 11 de junho de 2026

O melhor dos X-Games

14/04/2003 16h34 – Atualizado em 14/04/2003 16h34

Na matemática radical, a geometria explica a progressão da ousadia: 180º, 360º, 540º, 720º, 900º, 1080º.

O que vem depois disso? “1260º, 1440º e vai embora”, explica Viba, X de Prata no inline vertical.

O salto que um dia recebeu o nome de “mortal” já, já vai acabar rebatizado para “banal”. No mínimo, “normal”. Às vezes, duplamente.

Quanto maior o atrevimento, mais a câmera lenta se torna indispensável para os olhos menos radicais.

X-Games é um nome que surgiu do equivalente em inglês para jogos extremos. E buscar o extremo é isso. Arriscar os ossos e a saúde. Para chegar onde ninguém chegou.

Por isso essa turma gosta tanto. Faz fila às sete da manhã para a arena que lota. Lota brincando a arquibancada para 2500 pessoas. E a areia até o último que enxergar. É um público que gosta, entende e elege.

Carlos Pianowski, o Piá, venceu o patins park ao som de “uh, já ganhou” e “é campeão”. “Eu competi mesmo com cãimbra, por causa que a galera gritando me deu uma força enorme”, explica ele.

No skate vertical, o torcedor teve a decepção de não ver o maior ídolo 100%. Bob Burnquist machucou o tornozelo. O comando do espetáculo ficou com Sandro Mineirinho Dias. E que espetáculo. As três tentativas dele foram melhores que todas, de todos os outros.

“Eu espero nos X-Games fazer três voltas igual eu fiz aqui, sem errar. Eu espero que assim que se eu fizer assim eu vou me dar bem esse ano”, falou Mineirinho. Encerrou a apresentação aclamado. E assim recebeu a medalha de ouro. O prêmio, o título, o reconhecimento, a satisfação pessoal. Tem muita coisa em jogo aqui. Inclusive, um sonho. A chance de participar dos X-Games.

Uma vaga de presente para o melhor latino-americano em cada modalidade. Cinco brasileiros entraram na lista: no vertical das bicicletas, Clayton Araújo, o Cebola. No flatland, Marcos de Jesus. No skate park, Enrique Cândido, o Vitória. No patins park, Caio Germano.

No patins vertical, Marco de Santi, vencedor da prova. “Agora, eu vou para os Estados Unidos e mostrar que os brasileiros são fogo”, exclama de Santi. “A vaga é minha, graças a deus”, fala emocionado Caio Batista, X de Prata no inline park.

Só se fala em adrenalina, em radicalidade, em loucura. Quando prazer parece ser a palavra muito mais adequada. Como deve ser bom voar como o Mineirinho.

A seis metros de altura, inventando uma manobra. Com todo o controle da situação. Como se aquele instante passasse devagarzinho. E desse jeito realizar os sonhos mais radicais…

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