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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Na Câmara, Trad critica PTB e Martinez

11/04/2003 10h25 – Atualizado em 11/04/2003 10h25

Em discurso no plenário da Câmara, ontem, o deputado federal Nelson Trad (PDMB), disse que foi vítima de desmandos partidários desde a eleição passada “vendo a árvore histórica do PTB – que cultivei por 45 anos – vergar sob o jugo dos interesses subalternos, enclausurada no circo das ambições e vaidades”. Foi a primeira crítica de Trad no plenário da Câmara sobre a mudança na direção estadual do PTB, que o levou a trocar o partido pelo PMDB. Trad afirmou que seu ex-partido saiu da condição de “fruto de movimento de massas”, idealizado por Getúlio Vargas, para se submeter aos “conchavos da cumplicidade, os arranjos dos conluios e das barganhas”. O deputado disse que da aliança que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PTB foi o único partido que perdeu representação no Congresso: “O arranjo de última hora, fórmula espúria e efêmera para inchar artificialmente a legenda, parece fazer tabula rasa de que a soma de nanicos pode ser um conjunto bizarro, um nanical exótico, mas não faz dele uma terra de gigantes”, disse, referindo-se à incorporação do PSD ao PTB. Trad disse que foi alijado da direção estadual do partido (a presidência foi entregue ao deputado federal Antônio Cruz) e excluído do processo de negociação para a composição da nova comissão provisória. “Todo esse itinerário de baixarias tem uma origem, uma explicação trivial: primeiramente, reação às críticas que dirigi aos acordos realizados pelo deputado José Carlos Martinez (presidente nacional do PTB), feitos antes e durante a campanha política para a presidência da República, que se refletiriam de forma prejudicial ao partido”, declarou. Segundo ele, enquanto o PTB definia entre suas diretrizes, o combate à corrupção e ao crime organizado, Martinez vive “situação constrangedora”, denunciado ao Supremo Tribunal Federal por diversos crimes de “colarinho branco”. “O PTB, depois da fusão dos trabalhistas com o PSD, passa por um período nebuloso, de manipulação pelas cúpulas partidárias, que sujeitam a agremiação a suas decisões autocráticas, unipessoais, sem consulta às demais esferas do partido e suas bases”, disse Trad. Nelso Trad considerou “inaceitável” a decisão de Martinez de entregar a presidência regional do PTB a Antônio Cruz, “um parlamentar eleito em outubro e filiando em dezembro, brindado com cargo de direção partidária”. PTB O deputado federal Roberto Jéferson (RJ), líder do PTB na Câmara, discursou em defesa do partido e de Martinez. Disse que o PTB sempre foi PMDB em MS e que Trad pretendia transformar a legenda em “barriga de aluguel” na eleição passada. Segundo Jéferson, o PTB era “a imagem dos Trad pai e filho” e que Antônio Cruz assumiu e não trouxe familiares para o partido. O líder trabalhista argumentou que Cruz foi o escolhido por estar “afinado com o programa do PTB, de aliança com o PT”.

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