11/04/2003 16h24 – Atualizado em 11/04/2003 16h24
Os primeiros que disputaram uma prova pra valer nesta segunda edição da Eliminatória Latino-Americana dos X-Games foram os atletas do bike vert. Vinte e dois bikers entraram no half-pipe em busca de uma vaga entre os 10 finalistas da modalidade.
Oito estrangeiros e 14 brazucas tiveram duas voltas cada, com duração de 70 segundos, para executarem o melhor conjunto de manobras possível.
Ficou visível a superioridade dos gringos em relação aos brasileiros – principalmente os americanos. As bikes deles voavam muito mais altas do que as nossas.
Clayton Marcos Araújo, o Cebola, 19 anos, de Jundiaí (SP), tem uma explicação: “Treinamos no Brasil em halfs de 3,15 de altura. Quando chega aqui, nos deparamos com uma pista de mais de 4 metros. Faltam pistas de alto nível para desenvolvermos mais a bike no Brasil. Talento, nós temos”.
Cebola, aliás, foi o primeiro a entrar na pista. Terceiro no ranking brasileiro, ele sentiu a responsabilidade: “Nossa, inaugurar um evento como esse foi demais! Fiquei muito nervoso”, confessa. Tanto que Cebola nem completou a primeira volta. Faltando ainda 20 segundos para terminar a sua exibição, o paulista já estava exausto, meio atordoado e pensou que o seu tempo já tivesse acabado. Mas ele se recuperou na segunda chance e conseguiu se classificar para a final. Fez a quarta melhor volta, o brasileiro mais bem colocado.
A eliminatória da bike vertical também foi marcada pelo excesso de quedas, algumas até sérias, como a de Robson Silva, que saiu acompanhado pelos médicos e nem conseguiu voltar para a segunda volta. Coincidência ou não, somente os brasileiros tiveram quedas mais sérias…
Acabei de ser submetido a uma cirurgia no ombro. Não estou 100% e ainda levei uma forte pancada na cabeça. O problema é que não estamos acostumados com uma pista desse porte”, reforçou Robson, finalista no vert nos X-Games Brasil do ano passado.
Juca Favela foi uma das exceções entre os brasileiros. O paulista, de São Bernardo do Campo, mesmo com o ombro contundido e com uma contratura na coxa, mandou muito bem em suas voltas e contagiou a galera. “Estou andando a 30% da minha capacidade, mas deu pra ir bem. Fiz duas manobras que praticamente ninguém fez”, valorizou.
Na sua segunda volta, JF entrou ao som dos Racionais, uma música especialmente pedida por ele. E deu certo. O público se amarrou e o biker voou solta na pista, conquistando a vaga para a final.
Mas os destaques ficaram por conta dos americanos mesmo. Kevin Robinson, Chad Kagy e Dennis McCoy mandaram muito bem e fizeram as três melhores voltas, respectivamente. Chad abusou dos vôos altos e, com um estilo muito técnico, foi um dos que mais agitou a torcida.
Kevin, de 31 anos, foi o único a atingir uma nota superior a 90 (94,5). Bandeira americana tatuada no braço esquerdo com os dizeres “Rider for life” (“pedalando pela vida”), Kevin tem um estilo mais agressivo e dinâmico. Atleta extremamente forte e bem preparado, ele parece incansável na pista e executa uma manobra mais difícil do que a outra sem nenhum intervalo para respirar.
Esta é a primeira vez que o biker americano veio ao Brasil e está adorando: “O clima é maravilhoso. O nível técnico dos brasileiros me surpreendeu. Mas eu estou em grande forma e espero mandar ainda melhor nas finais”.
Entre os 10 finalistas, apenas quatro são brasileiros: Clayton Cebola (quarto), Juca favela (oitavo), e André Cunhado (nono) e Ednílson Pardal (décimo).
Os classificados:
1 – Kevin Robinson (EUA) – 94,5 2 – Chad Kagy (EUA) – 88,5 3 – Dennis McCoy (EUA) – 88,25 4 – Clayton Marcos Araújo, Cebola – 84,25 5 – Dave Brumlow (EUA) – 83,25 6 – Achim Kujawski (ALE) – 83,25 7 – Ricky Roich (ARG) – 82,75 8 – Juca Favela – 80,75 9 – André Cunhado – 80,75 10 – Ednílson Rodrigues, Pardal – 80,00




