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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Ansiedade da guerra faz mulheres darem à luz prematuramente em Bagdá

11/04/2003 17h16 – Atualizado em 11/04/2003 17h16

BAGDÁ — O hospital Al Hayat, fundado por irmãs católicas dominicanas em Bagdá, vem registrando um aumento de nascimentos prematuros, cesarianas e abortos espontâneos desde o início da guerra no Iraque.

“A ansiedade permanente, as comoções causadas pelas bombas e os sustos têm um efeito devastador nas mulheres grávidas”, disse a irmã Buchra, fundadora e diretora do hospital, à agência de notícias France Presse.

“Antes, tínhamos bem mais partos normais, com um número limitado de cesarianas; agora, é o contrário”, continuou. “Muitas mulheres que dariam à luz por parto natural em uma situação normal pedem uma cesariana uma semana ou 10 dias antes do final da gravidez por causa da guerra”.

A religiosa lamentou o aumento no número de abortos espontâneos no terceiro ou quarto mês de gravidez.

Os bombardeios também fizeram os vidros das janelas do hospital explodirem e muitos funcionários abandonaram o local.

A irmã Clementina, encarregada da administração, é agora cozinheira do hospital de dois andares, a maternidade mais conhecida de Bagdá.

“Tivemos que chamar as irmãs seminaristas para que nos ajudassem e assumissem todas as tarefas que o pessoal realizava normalmente, como limpeza”, contou a religiosa.

“Todas as noites, trago minha esposa, meus três filhos e minha mãe para que durmam no hospital porque eles têm medo de ficar sem mim em casa”, disse Saad Socrat, um anestesista do hospital.

O berçário também foi fechado devido aos bombardeios.

“Em uma noite em que os bombardeios foram intensos, as mães, tomadas pelo pânico, foram ao berçário proteger seus bebês”, contou a irmã Buchra.

“Foi terrível e como ninguém pode deter uma mãe, fechamos o berçário e entregamos cada criança a sua mãe”, prosseguiu, com lágrimas nos olhos.

“É assim que os norte-americanos querem fazer sua guerra de libertação? Matando recém-nascidos? É inaceitável”.

Hawassem = Decisiva

Hind, de 22 anos e grávida de oito meses, começou a ter uma forte hemorragia e sua mãe a levou rapidamente ao hospital, onde a jovem deu à luz uma menina prematura.

Sofrendo calafrios e hipotensão depois da cesariana pela qual foi submetida, Hind batizou sua filha de Hawassem, que significa “decisiva”, em árabe, em homenagem ao nome que o regime iraquiano deu à guerra, “Maarakat Al Hawassem”, que quer dizer, “Guerra Decisiva”.

“Quis chamá-la Hawassem, o nome dado à guerra, para que ela dê sorte ao Iraque em seu combate contra as tropas anglo-americanas”, declarou Hind à France Presse.

Mesmo fraca, Hind pretende voltar logo para sua casa e reencontrar o marido e o filho.

A avó de Hawassem, Muntaha Hussein, contou que Hind sofreu bastante ao ter que descer as escadas do edifício de quatro andares onde moram, já que o elevador não funcionava devido aos cortes de energia elétrica.

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