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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Ataques das forças aliadas matam três jornalistas e ferem cinco em Bagdá

08/04/2003 11h16 – Atualizado em 08/04/2003 11h16

ARREDORES DE BAGDÁ, Iraque – Ataques das forças aliadas a Bagdá causaram a morte de três jornalistas e feriram outros cinco nesta terça-feira. Um general dos EUA admitiu que um tanque americano abriu fogo contra o Hotel Palestine, no centro de Bagdá, onde está hospedada a maioria dos correspondentes, matando um jornalista da agência Reuters e um do canal espanhol Tele 5. O Pentágono disse que os americanos revidaram ataques de franco-atiradores no hotel. Três jornalistas da Reuters ficaram feridos. Em outro incidente, um repórter da rede Al-Jazeera, do Qatar, morreu a caminho do hospital depois que a sucursal da emissora foi atingida por dois mísseis ar-terra, segundo o site do The New York Times. Um câmera iraquiano da Al-Jazeera ficou ferido. Um ataque a outra TV por satélite árabe, a Abu Dhabi Television, teria deixado um câmera ferido.

A Al-Jazeera disse que informou ao Pentágono, em uma carta assinada pelo gerente-geral da emissora, Mohamed Jassem Al-Ali, em 24 de fevereiro, a localização da sucursal. Segundo o editor da Abu Dhabi, Nart Bouran, a rede também tinha enviado suas coordenadas ao Pentágono. Mas a Abu Dhabi também foi aparentemente atingida por armas de fogo enquanto câmeras filmavam, do telhado da sucursal, dois tanques americanos posicionados sobre uma ponte no rio Tigre. Um dos câmeras foi ferido e caiu no chão.

Militares americanos disseram, inicialmente, que o ataque ao Hotel Palestine fora causado por granadas lançadas por forças iraquianas.

  • Um tanque estava sendo alvo de disparos de armas leves e granadas lançadas a partir do hotel e respondeu com apenas um disparo. Há informações de que as forças americanas foram alvejadas e que os tiros vinham do saguão do hotel e por isso os militares dispararam de volta – disse à Reuters o general Buford Blount, comandante da Terceira Divisão de Infantaria.

No entanto, general de brigada do Comando Central dos EUA no Qatar, Vincent Brooks, foi obrigado a se corrigir depois que um dos correspondentes presentes na entrevista coletiva concedida afirmou que o canhão do tanque estava apontado para os andares superiores do edifício.

  • Nós recebemos mais informações com o passar do tempo. Eu posso ter me expressado mal – justificou-se Brooks.

Segundo o New York Times, o jornalista da Reuters morto no ataque era o câmera ucraniano Taras Protsyuk, de 35 anos, que trabalhava para a agência desde 1993, morava em Varsóvia e cobrira conflitos na Bósnia, na Chechênia, no Afeganistão e em Kosovo. A rede britânica BBC informou que o espanhol José Couso, de 37 anos, do canal Tele5 e que foi atingido no mesmo ataque, foi levado para um hospital local, mas não resistiu aos ferimentos. O repórter da Al-Jazeera morto pelas forças aliadas era o jordaniano Tariq Ayoub, que foi atingido quando estava no telhado do escritório preparando-se para entrar ao vivo, informou um porta-voz da emissora, Jihad Ballout.

O general Brooks afirmou que lamenta pela vida dos jornalistas que morreram em trabalho no Iraque.

  • Lamentamos a morte dos jornalistas no conflito. Não temos os jornalistas como alvos, mas sabemos que os locais onde o regime trabalha põem em risco a vida de civis – disse Brooks.

Um porta-voz do Pentágono disse que o Departamento de Defesa dos EUA lamentava a morte do cinegrafista da Reuters.

  • Nós lamentamos profundamente a morte de civis inocentes. Nós não queremos atacar civis e sempre dissemos que Bagdá é um lugar perigoso para jornalistas por vários motivos, visto o histórico do regime de Saddam Hussein de intencionalmente colocar civis em perigo – disse Bryan Whitman à agência de notícias.

Fonte: Reuters

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